A coroa da 15ª edição do concurso de beleza “Miss Tibete 2017”, que terminou no domingo em Dharamsala, na Índia, foi conquistada por Tenzin Paldon.

O concurso atingiu este ano um recorde no número de participantes. Foram a concurso nove mulheres que nunca estiveram no Tibete, mas que fazem parte da comunidade tibetana da Índia.

Esta competição caracteriza-se por não ter praticamente nenhum patrocinador e por ter dificuldades em arranjar juízes e participantes.

Tenzin Paldon, de 21 anos, arrecadou o prémio final e contou à CNN : “Com este título, tentarei o meu melhor para chegar a um nível internacional – falar do meu país, das causas e da cultura tibetanas o mais que puder”.

Concurso controverso

São vários os membros da comunidade tibetana e feministas que se opõem a este concurso por motivos morais. Também a China, que considera o Tibete parte integrante do seu território, não concorda com a participação das vencedoreas em eventos internacionais.

Segundo a CNN, são muitas as mulheres a querer participar no “Miss Tibete”, porém são proibidas pela cultura tibetana, que é conservadora e religiosa. De acordo com a mesma fonte, sobretudo as pessoas mais velhas do Tibete olham para o concurso de beleza como uma “traição cultural”.

Eles acham problemático mostrar a nossa pele. Eu acredito que, se fores bom no coração, nada mais importa. Se usarmos um traje tradicional, mas se formos pessoas más, isso não é bom”, disse a vencedora.

A jovem coroada afirmou que vencer o concurso foi "uma grande conquista" e espera tornar-se "um modelo para todas as jovens mulheres tibetanas".

Este ano, os prémios monetários foram oferecidos por dois empresários tibetanos de Taiwan, na China. Estes prémios corresponderam a 1.550 dólares (cerca de 1.400 euros), para a vencedora, e 775 dólares (cerca de 700 euros) para o segundo lugar.