Pelo menos 80 pessoas foram mortas, na terça-feira, na Etiópia num novo ataque no oeste do país, região onde ocorreram vários massacres nos últimos meses, anunciou a Comissão Etíope dos Direitos Humanos (EHRC).

Recebemos informações de que mais de 80 civis foram mortos em 12 de janeiro perto de Daletti" na região de Benishangul-Gumuz, disse à agência France-Presse Aaron Maasho, porta-voz daquele organismo independente da administração etíope.

A aldeia de Daletti situa-se na zona de Metekel, onde centenas de pessoas morreram em ataques armados nos últimos meses.

Não existe uma ligação conhecida entre a violência nesta região e o conflito em curso em Tigray, região do norte da Etiópia onde o Governo federal lançou em novembro uma operação militar contra as autoridades dissidentes regionais.

O ataque de terça-feira teve lugar durante a madrugada e a idade das vítimas varia entre os dois e os 45 anos.

A comissão está "a tentar obter mais informações sobre os atacantes", bem como a forma como as vítimas foram mortas, acrescentou o porta-voz.

Vários líderes da oposição local garantiram que os ataques foram levados a cabo por membros do grupo étnico Gumuz e que tinham motivações étnicas.

Segundo eles, as milícias Gumuz visaram os membros da comunidade Ahmara, o segundo maior grupo étnico do país.

Um sobrevivente do ataque de terça-feira, Ahmed Yimam, disse à AFP que tinha contado 82 cadáveres e 22 feridos.

O ataque foi realizado principalmente com facas, foram também utilizadas armas de fogo", contou, manifestando receios de que volte a acontecer porque "os atacantes não estão a ser punidos e as autoridades locais e regionais não estão a trabalhar".

Na segunda-feira, a estação de rádio e televisão Fana BC disse que "a paz relativa foi restaurada em Metekel", graças às medidas tomadas pelo Governo federal.

Mas, a Comissão Etíope dos Direitos Humanos apela às autoridades para que façam mais.

Não tem havido quase nenhum descanso para estes civis entre todos os ataques sinistros dos últimos meses. Mais uma vez, apelamos às autoridades federais e regionais para que reforcem a sua coordenação para responder a estes incidentes e evitar mais mortes em Benishangul-Gumuz", defendeu Aaron.

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