Abril de 2018, Panmunjon, península coreana, o mundo de olhos postos num encontro histórico entre os líderes dos países que estão em conflito há mais anos consecutivos. Kim Jong Un e Moon Jae-in cumprimentaram-se no paralelo 38, o local em que os avanços e recuos da guerra pararam, com o cessar-fogo de 1953.

Sem a assinatura de um tratado de paz, Coreia do Norte e a congénere do Sul continuam, nos dias de hoje, tecnicamente, em guerra, mas o decorrer deste ano suavizou o conflito. Depois de, em 2017, Kim Jong-Un ter ameaçado os territórios vizinhos com o lançamento de diversos mísseis, na mensagem “deste ano novo”, inesperadamente, revelou que estava preparado para dialogar com os inimigos de sempre.

Na cimeira com a Coreia do Sul ficou comprometido o caminho para a paz e a desnuclearização da península. Nos meses que se seguiram deram-se importante passos como a destruição dos postos de controlo na fronteira e diversos encontros entre entidades do país com vista à assinatura de um tratado de paz.

Os avanços na península ficam ainda ligados a um segundo momento histórico, o encontro entre Donald Trump e Kim Jong Un, em Singapura. Depois de um recuo inesperado, semanas antes, o presidente norte-americano acabou por viajar até à Ásia para se encontrar com o líder norte-coreano. Em cima da mesa ficou a possibilidade de uma visita de Kim Jong Un aos EUA, mas, tendo em conta o cancelamento da visita de Pence à Coreia do Norte, o encontro parece não estar para breve.

Outra marca deixada, este ano, pelo presidente norte-americano foi o encontro com o presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, para, no meio de tantos escândalos que os ligam, discutir a questão da Crimeia.

O conflito gerada pela anexação da península, pelas autoridades russas, continua sem fim à vista. Uma resolução da ONU condenou a invasão, mas até agora nada se alterou. Ucrânia e Rússia continuam a disputar o território do mar Negro e são vários os casos de tensão que marcaram este ano.

Os líderes de EUA e Rússia batem-se frente a frente na Síria, como se de um regresso à Guerra Fria se tratasse. O conflito armado que envolve o regime de Bashar Al-Assad, os rebeldes antirregime e o autoproclamado estado islâmico, despoletado na Primavera Árabe, ainda não tem fim à vista. Apesar das conquistas contra o Estado Islâmico, que está confinado a pequenos territórios isolados, rebeldes e governo continuam a disputar o poder no país.

Os ataques com armas químicas têm chamado à atenção a comunidade internacional, mas a ONU, subjugada ao poder do Conselho de Segurança, tarda em resolver o conflito.

Outro dos cenários de guerras para o qual as Nações Unidas continuam sem encontrar uma resolução é o conflito israelo-árabe. A norte, Israel debate-se com a guerra na Síria e a sul com o conflito com a Palestina. Os ataques entre israelitas e palestinianos são constantes e 2018 fica marcado pela luta pelo controlo das água territoriais ao largo da Faixa de Gaza.

Esquecida está a “nova guerra do golfo”. O Iémen vive desde 2015 numa guerra civil que provocou a deslocação de mais de três milhões de pessoas. O conflito, que envolve a Arábia Saudita, pode ter um fim à vista até ao final deste ano. Estão marcadas conversações de paz, na Suécia, para encontrar uma resolução para o conflito.

Veja os conflitos que marcaram o mundo no último ano: