O fluxo de lava que desceu dos flancos do vulcão Nyiragongo, no leste da República Democrática do Congo (RDC), chegou, neste domingo, aos subúrbios da cidade de Goma, onde os moradores continuam preocupados com a possibilidade de nova erupção.

O imenso fluxo de lava parou a progressão durante a noite para se imobilizar nos subúrbios de Buhene, que marca o limite nordeste de Goma, constataram os correspondentes da AFP.

Fogo e vapores fortes emanam da frente de lava solidificada, enegrecida e ainda instável.

Várias habitações foram engolidas pela lava, devastando tudo à sua passagem.

Pilhas de ferro dobradas pelo calor da fornalha são visíveis por entre a rocha fundida em vários locais.

A lava parou de avançar a algumas centenas de metros do aeroporto de Goma, onde os aviões foram retirados durante a noite e todos os voos do dia foram cancelados, segundo uma fonte aeroportuária.

Uma dezena de pequenos sismos foi sentida desde o amanhecer.

"As autoridades locais que acompanharam a evolução da erupção do vulcão durante toda a noite assinalaram que a corrente de lava perdeu intensidade, com algumas réplicas sísmicas", disse na rede social Twitter o ministro da Comunicação e porta-voz do governo, Patrick Muyaya.

"A avaliação da situação humanitária está em curso, outras comunicações serão feitas durante o dia", acrescentou.

O vulcão Nyiragongo, cujas majestosas encostas escuras dominam a paisagem de Goma e do lago Kivu, entrou no sábado em erupção, apanhando todos de surpresa, incluindo as autoridades, forçadas a ordenar pouco depois a evacuação da cidade.

A súbita atividade vulcânica provocou o pânico na população, conhecedora da fúria do vulcão.

"O céu ficou vermelho", contou uma habitante, temendo "as chamas gigantes saídas da montanha", enquanto os odores de enxofre se espalhavam pela cidade.

Milhares de pessoas dirigiram-se ao posto fronteiriço com o Ruanda, próximo de Goma, e para o sudoeste da cidade, em direção à região de Masisi.

No Ruanda, o acolhimento de milhares de pessoas decorreu com calma, organizado pelas autoridades.

Atualmente os cidadãos da RDC que encontraram refúgio no Ruanda depois da erupção do Nyiragongo continuam a regressar ao seu país", afirmou hoje de manhã no Twitter a Rwanda Broadcasting Agency (RBA), que difunde a televisão pública.

A anterior grande erupção do Nyiragongo remonta a 17 de janeiro de 2002.

Causou a morte a mais de 100 pessoas, cobrindo de lava quase toda a parte este de Goma, incluindo metade da pista do aeroporto.

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