A cimeira europeia marcada para o final desta semana, em Bruxelas, foi adiada para outubro após um segurança da equipa do presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, ter acusado positivo no teste à covid-19, foi anunciado esta terça-feira.

O presidente do Conselho Europeu teve conhecimento de que um dos seus seguranças, com o qual teve em contacto próximo no início da semana passada, testou positivo para a covid-19”, anunciou o porta-voz de Charles Michel, Barend Leyts, numa comunicação através da rede social Twitter.

O porta-voz acrescenta que, “em cumprimento das regras belgas [adotadas devido ao surto de covid-19], Charles Michel está em quarentena a partir de hoje”, apesar de estar a ser “testado regularmente e de ter acusado negativo ontem [segunda-feira]”.

O isolamento de Charles Michel torna impossível a condução dos trabalhos na reunião de chefes de governo e de estado da UE marcada para esta quinta-feira e sexta-feira em Bruxelas.

Por essa razão, o presidente do Conselho Europeu decidiu adiar a cimeira para 1 e 2 de outubro, adiantou o porta-voz, na mesma publicação no Twitter.

Os dados mais recentes dão conta de que a pandemia de covid-19 já provocou pelo menos 965.760 mortos e mais de 31,3 milhões de casos de infeção em 196 países e territórios.

Entretanto divulgada, a agenda da cimeira europeia da próxima semana refere que os líderes europeus vão reunir-se, de forma presencial em Bruxelas, “para debater o mercado único, a política industrial e a transformação digital, bem como as relações externas, em particular as relações com a Turquia e a China”.

Além disso, “a cimeira também será uma oportunidade para fazer um balanço da situação da pandemia da covid-19” na Europa, indica a ordem de trabalhos.

Charles Michel esteve na semana passada na Grécia, Chipre e Malta, numa altura de forte tensão no Mediterrâneo oriental, sendo que este será o foco da cimeira da próxima semana.

As tensões entre Ancara e Atenas e Nicósia têm vindo a subir de tom devido às perfurações ilegais turcas nas zonas económicas especiais da Grécia e do Chipre, reclamadas pela Turquia.

Entretanto, na ilha grega de Lesbos, o maior campo de refugiados da Europa, inaugurado há cinco anos no auge da crise migratória, foi totalmente destruído há duas semanas por incêndios que deixaram os seus 12 mil ocupantes desabrigados.

Charles Michel também esteve neste campo de Moria na semana passada, tendo defendido uma “resposta justa, forte e eficaz” para a questão das migrações e apoio comunitário aos países mais expostos, como a Grécia.

Outro dos assuntos – e talvez o mais divergente – em cima da mesa do Conselho Europeu será a aplicação de sanções à Bielorrússia, na sequência da repressão no país à onda de protestos contra a reeleição do Presidente, Alexander Lukashenko.

Após a ‘luz verde’ dada pelo Conselho da UE em agosto passado, a lista de medidas restritivas tem de ser formalmente aprovada por unanimidade para ficar em vigor, processo que o Chipre está a bloquear por exigir medidas semelhantes contra a Turquia, dada a crise do Mediterrâneo oriental.

Caberá, então, aos líderes europeus acordar sobre estas sanções à Bielorrússia, num processo negocial que várias fontes europeias anteveem como longo.

/ AG