Glasgow é neste momento o centro do mundo no que à crise climática diz respeito. A COP26 é vista como a última a “última esperança” de atingir os tão desejados 1,5 graus de aumento da temperatura média relativamente aos níveis pré-industriais. Quem o disse foi Alek Sharma, presidente da cimeira do clima.

O ideal seria um acordo à escala planetária com um prazo para cada país atingir a neutralidade carbónica. Contudo, o que em teoria parece simples, na prática não o é. Contra a urgência climática estão interesses socioeconómicos e por vezes até culturais que dificultam um entendimento comum.

Contudo, nem todos os países poluem na mesma quantidade nem estão a adotar estratégias pró-ambiente à mesma velocidade. No top 5 dos países mais poluentes, surgem a China com mais de 11.500 megatoneladas de CO2 emitidas por ano; seguem-se os Estados Unidos da América com cerca de 5.100 megatoneladas; Índia com mais de 2.500 megatoneladas; Rússia com perto de 1.800 megatoneladas e Japão com pouco mais de 1.154. (fonte: Comissão Europeia, Oxford Net zero).

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China

Na Assembleia-geral das Nações Unidas, realizada no fim de setembro, a República Popular da China revelou que prevê atingir o pico de emissões carbónicas apenas em 2030.

Através de vídeo, Xi Jinping revelou ainda que, na melhor das hipóteses, a China apenas deverá alcançar a neutralidade carbónica em 2060.

Com o anúncio, a China juntou-se à União Europeia, ao Reino Unido e a um conjunto de outros países que já fixaram uma data, tal como estava previsto no Acordo de Paris.

Neste momento, a República Popular da China é a origem de cerca de 28% da emissão de gases responsáveis pelo efeito de estufa, a nível mundial, superando assim as emissões poluentes da União Europeia e dos Estados Unidos juntas.

A principal fonte poluidora chinesa é a utilização de combustíveis fósseis. A China queima metade do carvão utilizado em todo o planeta e é o maior importador de crude à escala global.

No entanto, é também a nação que mais investe, produz e consome energias renováveis. De acordo com a Universidade de Columbia, em Nova Iorque, um em cada três painéis solares e eólicas existentes a nível mundial estão localizados em território chinês. Bem como, metade dos carros elétricos, 98% dos autocarros elétricos e 99% dos velocípedes elétricos.

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Estados Unidos da América

De acordo com o presidente norte-americano, Joe Biden, os Estados Unidos da América deverão atingir a neutralidade carbónica em 2050.

Também no território norte-americano, a principal alteração para os próximos 30 anos será abandonar o carvão como combustível das centrais termoelétricas.

O uso de combustíveis fósseis como gasolina ou gasóleo também terá de diminuir drasticamente e dar lugar a energias renováveis, a longo prazo.

As estradas norte-americanas deverão ser invadidas por carros, camiões ou autocarros elétricos ao longo deste século e a rede de abastecimento deste tipo de veículos deverá ser largamente expandida a todos os estados. De acordo com as previsões norte-americanas, este é um esforço económico que deverá rondar os 50 mil milhões de dólares.

Os Estados Unidos esperam ainda ter cerca de mil zonas industrias equipadas com tecnologias capazes de capturar parte das emissões carbónicas. O projeto contará com cerca de 110.000 quilómetros de tubos subterrâneos com o objetivo de aprisionarem e injetarem o dióxido de carbono em formações rochosas espalhadas pelo país.

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Índia

Na Índia, foi o primeiro-ministro, Narendra Modi, quem anunciou que a neutralidade carbónica só deverá ocorrer em 2070. O país será assim o último dos grandes poluidores a chegar à neutralidade carbónica, de acordo com as previsões.

Apesar de ser o terceiro maior poluidor mundial, os números indianos diminuem quando analisados em comparação com o número de habitantes. O país é o segundo mais populoso do planeta, só ultrapassado pela China, o que significa que as emissões per capita ficam abaixo de muitas outras nações. Os dados de 2019, mostram que a índia emitiu 1,9 toneladas de CO2 por habitante, ano em que os Estados Unidos registaram 15,5 toneladas e a Rússia 12,5 toneladas.

Narendra Modi considera que para atingir a meta estipulada que 50% da energia usada na Índia seja proveniente de fontes renováveis até 2030 e que, também nesse ano, as emissões carbónicas já tenham diminuído em cerca de mil milhões de toneladas de CO2.

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Rússia

Citado pela Reuters, o jornal russo Kommersant revelou que o governo da Rússia criou um novo esboço mais ambicioso para a estratégia de descarbonização no país, fixando a meta para a neutralidade carbónica em 2050.

De acordo com a publicação, a Rússia espera cortar as emissões de CO2 em cerca de 30% ao longo dos próximos 28 anos. O plano passa por substituir as antigas centrais termoelétricas a carvão por centrais elétricas alimentadas a gás, energia nuclear, hidroelétrica e renováveis.

No entanto, numa conferência, datada do início de outubro, Vladimir Putin reiterou: “Estipulámos uma meta especifica, nunca depois de 2060”.

A Rússia é um dos maiores produtores de petróleo à escala global e o quarto maior responsável pelo aumento do efeito de estufa.

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Japão

O Japão, como os Estados Unidos, prevê que 2050 seja o ano em que o país alcança a neutralidade carbónica. O anúncio foi feito pelo ex-primeiro-ministro, Yoshihide Suga (abandonou o cargo em outubro), que considera fundamental uma revisão da política das centrais termoelétricas no país.

À semelhança dos norte-americanos, os japoneses também pretendem investir na criação de novas tecnologias capazes de capturar dióxido de carbono, bem como, otimizar todo o processo ligado às energias renováveis.

Yoshihide Suga considerou ainda fulcral a criação de uma plataforma focada na discussão da crise climática, composta por governantes e especialistas.

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Nuno Mandeiro