O Presidente de República reforçou este domingo a “urgência em alcançar um acordo coletivo e global” na COP26, a cimeira do clima das Nações Unidas, que arrancou em Glasgow.

Em nota publicada no site da Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa apelou ao compromisso de “reduzir para metade as emissões até 2030 e atingir a neutralidade carbónica até 2050, em simultâneo com a redução da desflorestação e da destruição da biodiversidade, e com a aposta na reflorestação e preservação dos oceanos".

O Presidente lembrou que Portugal assumiu todos estes compromissos, e ainda o de triplicar o financiamento aos países mais pobres, principalmente os PALOP, para a “adaptação às alterações climáticas.

O desafio para conter o aumento da temperatura média do planeta em 1,5ºC, até 2100, é grande, exigente, mas possível, através da assunção de compromissos ambiciosos por parte dos líderes políticos e de uma real cooperação multilateral, mas sobretudo, com o envolvimento de todos, de cada indivíduo, comunidade, empresa ou organização, região ou país”, pode ler-se.

Na nota, o Presidente salienta ainda que "os cientistas são claros nos factos e nos cenários de evolução dos efeitos do aquecimento global" e defende por isso que "também os líderes mundiais deverão ser claros e efetivos nas suas ações".

Boris Johnson: "Se Glasgow falha, tudo falha"

O primeiro-ministro britânico Boris Johnson reiterou este domingo a importância da COP26, que decorre em Glasgow, para o futuro do planeta no combate às alterações climáticas.

Num discurso com um tom alarmista, no final da cimeira do G20, Johnson afirmou que “se Glasgow falha, tudo falha”.

Se Glasgow falha, tudo falha. O Acordo de Paris quebrará à primeira barreira. O único mecanismo viável para lidar com as alterações climáticas ficará debaixo de água. Neste momento, o Acordo de Paris, e a esperança que com ele veio, é apenas um bocado de papel”, afirmou o líder britânico.

Apesar de constatar a falta de progresso, Johnson considera que a Humanidade “tem a capacidade necessária para fazer face ao desafio”.

A ciência é clara. Temos de agir agora para reduzir para metade as emissões até 2030 e limitar o aumento da temperatura global até 1,5 graus Celsius. Não há desculpas válidas para a nossa procrastinação”.

Para o primeiro-ministro britânico, a solução é clara: deixar de usar combustíveis fósseis e “aproveitar o poder da Natureza através das energias renováveis”.

Johnson reafirmou que, se a Humanidade não agir imediatamente, o Acordo de Paris será olhado no futuro como o “momento em que vacilámos e virámos costas” ao problema das alterações climáticas.

Apesar da inércia que verifica, o chefe do governo britânico considera que “houve progressos nos últimos dias”, com o comprometimento de várias potências como a Austrália e a Arábia Saudita a atingir a neutralidade carbónica.

Rússia não se compromete com neutralidade carbónica até 2050

Quem parece ter prestado pouca atenção ao discurso de Johnson foi a Rússia. O ministro dos negócios estrangeiros do país, Sergei Lavrov, afirmou que o compromisso de atingir a neutralidade carbónica até 2050 é “desrespeitoso”.

Se os media em Itália estão convencidos de que a UE, os Estados Unidos e o G7 o querem fazer até 2050, e que o apresentam como a verdade final, é uma falta de respeito para com os restantes membros do G20 e da comunidade internacional”, afirmou Lavrov, citado pela CNN.

Em vez disso, a Rússia aponta a 2060 como o ano em que deverá atingir a neutralidade carbónica.

Não gostamos de ambições vãs e promessas vazias. Atingiremos a neutralidade carbónica até 2060. É o nosso compromisso bem calculado e vamos cumpri-lo”.

Guterres sai do G20 "sem esperanças correspondidas", mas não “enterradas”

No Twitter, o Secretário-Geral das Nações Unidas reconheceu e apreciou o “comprometimento do do G20 com soluções globais”. Guterres saiu de Roma “sem esperanças correspondidas”, mas não “enterradas”.

O líder da ONU desloca-se agora para Glasgow, para participar na COP26, onde se baterá para “manter vivo o compromisso dos 1,5 graus Celsius” e “implementar promessas” ao nível do “financiamento e adaptação das pessoas e do planeta”.

Pedro Falardo