O Departamento de Justiça dos Estados Unidos acusou esta quarta-feira três cidadãos norte-coreanos de terem conduzido uma série de ataques informáticos com o objetivo de roubarem e extorquirem mais de 1,3 mil milhões de dólares (cerca de mil milhões de euros) em dinheiro e em criptomoeda. Os alvos dos ataques foram instituições e empresas que trabalham na área financeira.

Os suspeitos são programadores, e, segundo a justiça norte-americana, fazem parte de uma agência de espionagem militar da Coreia do Norte. Estão ainda acusados de criar e implantar "múltiplas aplicações maliciosas de criptomoeda e de desenvolverem uma plataforma fraudulenta".

Entre os crimes praticados está o phishing, que consiste em obter informações de outros internautas, nomeadamente os detalhes bancários.

Segundo a justiça, este esquema terá durado entre 2016 e o início de 2020, atingido vários funcionários dos departamentos de Defesa e de Estado dos Estados Unidos, além de outros trabalhadores relacionados com empresas de energia ou tecnologia.

Em algumas das ações levadas a cabo pelos piratas informáticos, terá sido possível à Coreia do Norte "obter de forma secreta fundos de investidores, controlar interesses em embarcações marítimas e escapar das sanções dos Estados Unidos".

A procuradora do distrito da Califórnia, Tracy Wilkinson, afirmou que esta ação "decorreu ao longo de muito tempo, e a gama de crimes cometidos é impressionante".

A conduta detalhada na acusação são os atos de um Estado-nação criminoso que não parou por nada para obter vingança e obter dinheiro para sustentar seu regime”, acrescentou a responsável.

 

A acusação, que deu entrada em Los Angeles, cai sobre Jon Chang, de 31 anos, Kim Il, de 27 e Park Jin Hyo, de 36. O último dos suspeitos já tinha sido acusado em 2018 por cibercrimes relacionados com um ataque à Sony.

Além disso, os Estados Unidos acreditam que estes mesmo hackers terão, entre 2015 e 2019, tentado roubar perto de mil milhões de euros a bancos sediados no Vietname, Bangladesh, Taiwan, México, Malta ou em África.

António Guimarães