Piratas informáticos norte-coreanos tentaram invadir os servidores da farmacêutica norte-americana Pfizer para roubar a tecnologia da vacina contra o coronavírus, relataram funcionários dos serviços secretos sul-coreanos esta terça-feira, apesar de o líder do Norte, Kim Jong Un, ter declarado que o país não foi afetado pela pandemia.

Segundo o Washington Post, os deputados foram informados das descobertas do Serviços Secretos da Coreia do Sul numa audiência à porta fechada com a Assembleia Nacional.

Os ataques cibernéticos incluíram uma tentativa, a que a Pfizer foi sujeita, de roubar a vacina covid-19 e a tecnologia de tratamento", disse aos jornalistas Ha Tae-keung, deputado da oposição e membro do comité, acrescentando que a Coreia do Sul detectou um aumento de 32% no número de tentativas de ataque cibernético na Coreia do Norte.

Não ficou claro quando o ataque da Pfizer ocorreu ou se foi bem-sucedido. Um representante da Pfizer não quis comentar para já esta informação. E também não houve qualquer reação da Coreia do Norte a esta acusação.

Já em novembro, a Microsoft tinha dito que hackers norte-coreanos e russos tentaram roubar dados de empresas farmacêuticas e dos laboratórios que estavam a investigar as vacinas, embora tenha garantido que os esforços não tiveram sucesso. O governo dos EUA também acusou os hackers norte-coreanos de terem como alvo os fabricantes de vacinas, enquanto a Coreia do Sul disse que frustrou uma tentativa norte-coreana de invadir empresas que desenvolvem vacinas contra o coronavírus naquele país no ano passado.

Segundo peritos ocidentais, a Coreia do Norte dispõe de um “exército” de milhares de piratas informáticos muito bem treinados, que já perpetraram ataques a empresas, instituições e centros de investigação, em particular da Coreia do Sul.

Coreia do Norte declara não ter covid

A Coreia do Norte foi o primeiro país do mundo a encerrar as suas fronteiras, no final de janeiro de 2020, para tentar proteger-se da pandemia que surgiu em dezembro de 2019 na vizinha China e que depois se espalhou por todo o mundo.

O líder norte-coreano Kim Jong Un afirmou entretanto que o país não registou qualquer caso de contaminação pelo novo coronavírus, o que é considerado como sendo pouco provável pelos peritos, já que a China faz fronteira com o país e é o seu principal parceiro comercial.

O fecho de fronteiras aumentou a pressão sobre a economia norte-coreana, já submetida a sanções internacionais devido ao programa nuclear e balístico desenvolvido por aquele regime comunista.

A coreia do Norte terá, igualmente, desviado ao longo dos últimos meses mais de 300 milhões de dólares em cripto moedas através de ataques informáticos destinados a financiar o seu programa nuclear e balístico, segundo um relatório confidencial da ONU divulgado há poucos dias.

Apesar de afirmar estar isenta do vírus, a Coreia do Norte fez recentemente uma encomenda de vacinas contra a covid-19, devendo receber cerca de dois milhões de doses, segundo a Aliança Global de vacinas (Gavi), membro do programa Covax, que coordena a distribuição de vacinas aos países pobres.

Embora não haja ainda confirmação oficial, o país terá pedido ajuda internacional, já que as infraestruturas médicas norte-coreanas são consideradas inadequadas para fazer face a uma pandemia.

Maria João Caetano .