A polícia sul-coreana admitiu utilizar violência para conseguir uma confissão de um homem que passou 20 anos na prisão por violação e homicídio de uma menina de 13 anos. A revelação surge depois das autoridades terem apanhado o verdadeiro culpado, um assassino em serie que matou e violou mais de 10 mulheres no final dos anos 80.

O homem identificado como Yoon foi a única pessoa a cumprir pena de prisão pela infame sequência de homicídios. Foi libertado em 2008, depois de ter cumprido 20 anos de prisão.

Esta quinta-feira, as autoridades anunciaram ter identificado Lee Chun-jae como o autor das violações e homicídios na zona rural de Hwaseong, a sul da capital, entre 1986 e 1991.

A notícia vem na sequência de uma investigação lançada no ano passado, depois de novas provas de ADN ligarem Lee a alguns dos assassinatos. O homem acabaria por confessar, após alguns dias de interrogatório, não só a autoria dos dez homicídios, como de outros quatro e mais 34 violações.

Bae Yong-ju, chefe da Agência de Polícia de Gyeonggi Nabbu, admitiu, esta quinta-feira, que, durante a investigação inicial em 1989, a polícia agrediu o suspeito original para obter uma confissão.

Expresso as minhas profundas condolências às vítimas e às suas famílias, tal como àqueles que foram falsamente acusados como suspeitos bem como Yoon que foi injustamente condenado por uma das mortes e por não termos conseguido resolver este caso durante tanto tempo", disse Bae.

O chefe da polícia de Gyeonggi revelou ainda que sete polícias e um procurador envolvidos na investigação inicial do caso estão a ser investigados por abuso de poder e detenção ilegal. No entanto, de acordo com a lei coreana, devido à data dos factos, não podem ser acusados.

Atualmente Lee já está a cumprir uma sentença de prisão perpétua pela violação e homicídio da sua própria cunhada, em 1994.

Em declarações à CNN, Yoon diz-se “aliviado” ao ouvir que a polícia encontrou o verdadeiro culpado por detrás dos assassinatos de Hwaseong. Ainda assim, admite que se sentirá melhor assim que o julgamento esteja concluído.

Sinto-me frustrado com tantos anos sem justiça”, desabafa. “Se a polícia que me interrogou pedisse desculpas, sentir-me-ia melhor.”

Porém, Yoon admite que “mais do que um pedido de desculpas” a ele, a polícia deveria pedir desculpas ao povo coreano. “Consegue imaginar quantas pessoas poderão ter sido tratadas de maneira injusta ou injustamente acusada pela polícia nos últimos anos?”