Um sul-coreano de 78 anos morreu esta sexta-feira, horas depois de se ter imolado pelo fogo, perto da embaixada japonesa em Seul, disse a polícia, num momento de crescente tensão entre a Coreia do Sul e o Japão.

O homem incendiou-se dentro do carro estacionado em frente ao edifício, onde se situa a embaixada nipónica.

A polícia adiantou que o indivíduo telefonara pouco antes para um conhecido a dizer que planeava sacrificar-se para expressar antipatia pelo Japão.

Familiares disseram aos investigadores que o homem, identificado pelo sobrenome Kim, tinha sido recrutado como trabalhador forçado, quando a península coreana esteve sob o domínio colonial japonês, entre 1910 e 1945, de acordo com um comunicado da polícia.

Nenhuma nota de suicídio foi encontrada, mas apenas materiais inflamáveis no carro que Kim pediu emprestado a um conhecido na quinta-feira.

O caso ocorre num momento de crescentes tensões diplomáticas entre Seul e Tóquio.

A Coreia do Sul e o Japão são ambos fortes aliados dos Estados Unidos, mas costumam envolver-se em disputas decorrentes da ocupação colonial japonesa.

As autoridades sul-coreanas dizem que os controlos comerciais japoneses anunciados recentemente são retaliações por decisões judiciais locais que ordenam que as empresas japonesas paguem uma indemnização aos ex-trabalhadores forçados coreanos. O Japão nega, alegando que os controlos são necessários por uma questão de segurança nacional.

Há décadas que os sul-coreanos realizam manifestações anti-Japão, em grande parte pacíficas, perto da embaixada nipónica em Seul. Ocasionalmente, tornam-se violentas, com manifestantes a cortarem os próprios dedos e a entrarem em confronto com a polícia.

Em 2017, um monge budista sul-coreano morreu depois de se incendiar para protestar contra um acordo de 2015 com Tóquio, com o qual se tentava resolver um impasse sobre a escravidão sexual vivida pelas sul-coreanas e imposta por soldados japoneses, antes e durante a Segunda Guerra Mundial.