O fundador da Microsoft, Bill Gates, previu há cinco anos que o mundo não estaria preparado para enfrentar uma pandemia durante uma TED Talk. As imagens dessa conferência no Canadá tornaram-se virais e o norte-americano deu, agora, conselhos de como os países devem responder a esta crise sanitária, através de uma TED Talk via Skype.

Numa conversa com Chris Anderson, jornalista e curador das TED Talks, o bilionário começou por lamentar que ninguém tenha dado a importância às palavras dele, mas sobretudo aos "avisos que o zika e o MERS deixaram nos últimos anos".

Nada foi feito, nem como prevenção ou evolução da ciência, para preparar a resposta a uma pandemia", afirmou Bill Gates, acrescentando que agora "vemos um vírus respiratório chegar e não estamos prontos para o combater".

Sobre se esta será a pior pandemia do século, Gates diz que este vírus "apesar de ser mais contagioso que o SARS e o MERS" é menos mortífero e que, por isso, poderemos ultrapassá-lo com um número de mortes residual. 

A grande diferença é que podemos ter sintomas de Covid-19 que não nos obrigam a ficar em casa, mas podemos contagiar muitos outros sem perceber que estamos infetados", aponta o fundador da Microsoft.

Sobre a forma como a pandemia evoluiu, Bill Gates destacou a forma severa como a China respondeu, com o encerramento de escolas e fábricas em janeiro, mas lamentou que "o mundo não se tenha preparado logo em janeiro".

Testes, testes e mais testes

Bill Gates considera que a prioridade deve ser a realização de testes e o isolamento social. Para o fundador da Microsfoft quanto mais se testar mais se vai prevenir a propagação do vírus. Por outro lado diz que, custe o que custar para a economia, "o isolamento deve ser obrigatório".

Não tirámos (no caso dos EUA) a vantagem do mês de fevereiro para aumentar a capacidade de testar", lamentou Gates.

O fundador da Microsoft considera que ainda é cedo, mas que em seis meses será possível as pessoas realizarem o teste para despistar o Covid-19 em casa. Para o norte-americano os testes continuam a ser essenciais e mais importantes que o isolamento.

Devemos aprender com a Coreia do Sul, temos que nos isolar, mas os testes são prioritários", afirma Bill Gates

Quando vamos voltar à normalidade?

Bill Gates considera ainda que vai ser difícil explicar às pessoas quando poderão a voltar a comprar casa e comer em restaurantes.

"Se as pessoas respeitarem a quarentena, poderemos sair deste isolamento massivo em seis ou dez semanas", garante Bill Gates

O empresário considera que a resposta será diferente entre países, mas lembra que no caso da Coreia do Sul "não foi preciso o isolamento porque o sistema de testes funcionou e conteve-se a propagação".

Olhando pelo lado positivo, o empresário diz que os países que mais cedo iniciaram o isolamento "vão seguir a trajetória da China e podem começar a abrir algumas empresas nas próximas semanas".

O que faria o Bill Gates presidente dos EUA?

Um dos espetadores desta conversa virtual perguntou a Bill Gates quais seriam as medidas que tomaria se fosse presidente dos Estados Unidos da América. O fundador da Microsoft respondeu que "isolamento não é uma escolha e que devemos continuar assim durante pelo menos seis semanas".

Temos que evitar a dor que a economia possa gerar nas pessoas", avisou o fundador da Microsoft.

Bill Gates considera que tem que haver uma resposta económica tem que "ajude a consolar o sofrimento que as mortes vão causar na população".

Com os testes sempre em pano de fundo, Gates considera que enquanto não houver vacina os estados têm que apostar em testar e criar testes mais rápidos e baratos.

Otimismo no meio da pandemia

Bill Gates considera que as sinergias à volta do Covid-19 podem ajudar o mundo no futuro para combater outras doenças, mas também as alterações climáticas.

Vamos ultrapassar isto e finalmente vamos estar prontos para uma próxima pandemia", avança Bill Gates

O fundador da Microsoft considera que, até ser disponibilizada uma vacina, os países não vão poder olhar para isto "em seis ou dez semanas" e ter ultrapassado isto. Gates considera que só daqui a dois ou três anos vamos olhar para trás e ver isto, com o preço que a economia vai pagar, e pensar que "vamos estar prontos para a próxima".

Veja a conversa completa aqui: