A Agência Europeia do Medicamento (EMA, na sigla original) anunciou esta terça-feira que antecipou a reunião de revisão da vacina Pfizer-BioNTech contra a covid-19 para 21 de dezembro, o que significa que deverá aprovar nesse dia o uso da vacina na União Europeia.

A entidade, que regula a aprovação de medicamentos na União Europeia, tinha agendado a reunião para 29 de dezembro, mas decidiu antecipar justificando que o fez depois de ter recebido dos laboratórios que a produzem informação adicional sobre a vacina.

A antecipação da data da reunião surge, contudo, depois de o ministro da Saúde da Alemanha, Jens Spahn, ter pressionado o regulador europeu a acelerar a aprovação da vacina.

O nosso objetivo é aprovar a vacina antes do Natal para começarmos a vacinar ainda este ano", afirmou o governante.

A vacina em causa é a da norte-americana Pfizer, que desenvolveu o produto em parceria com a alemã BioNTech, e que já foi autorizada no Reino Unido e nos Estados Unidos, onde já está a ser administrada.

A Alemanha não pode usar a vacina por estar dependente da aprovação da EMA, organismo da União Europeia que aprovará uma vacina para todos os 27 estados-membros.

O aumento da pressão por parte do governo germânico surge na sequência do grave aumento dos contágios e das mortes no país. Os recentes números da pandemia levaram a um apertar de restrições, que vai vigorar inclusivamente no Natal.

Vários países, incluindo Portugal, apontaram o início da vacinação contra a covid-19 para os primeiros dias de 2021, sendo que António Costa afirmou que a imunização deve começar ao mesmo tempo em todos os países da união.

Presidente alemão pede ao país que aceite as novas restrições

Numa linha de aperto de regras, o presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, pediu esta segunda-feira ao país para aceitar as novas restrições à vida pública e à atividade económica para conter a pandemia, já que as medidas adotadas em novembro “não foram suficientes”.

Num apelo à nação, Steinmeier instou a sociedade a agir “de acordo” com as regras para conter a disseminação do coronavírus.

Os nossos esforços até agora não foram suficientes. Temos de agir em conformidade. Isto aplica-se à classe política de todos os níveis administrativos, mas também ao nível pessoal. Todos devem perguntar-se o que mais podem fazer para se proteger a si e aos outros, especialmente os mais vulneráveis”, defendeu.

O presidente alemão, que tem uma posição eminentemente formal, mas com elevado perfil moral, garantiu que a situação é “gravíssima” e que nem o Natal nem o Ano Novo poderão ser festejados “como se pensava” devido às restrições sem precedentes na história do país.

Depende de nós e sabemos o que fazer”, disse Steinmeier, que pediu “responsabilidade a cada um” para reduzir o número de infeções e mantê-lo em níveis que o sistema de saúde possa suportar.

 

Só o conseguiremos fazer se limitarmos radicalmente os contactos (interpessoais). Temos de fazer isso de forma rápida e abrangente. O nosso sistema de saúde não pode entrar em colapso”, disse o Presidente alemão.

 

A pandemia não nos vai roubar o futuro. Vamos superar a pandemia”, concluiu.

O “duro confinamento” acordado no domingo obriga ao encerramento de lojas e escolas não essenciais a partir de quarta-feira e até 10 de janeiro, que se juntam às instalações de lazer, cultura e gastronomia, que fecharam atividade em novembro.

As reuniões continuarão a ser limitadas a cinco pessoas de duas casas (sem contar os menores de 14 anos), embora as condições sejam ligeiramente relaxadas entre 24 e 26 de dezembro para permitir reuniões familiares (embora não na véspera de Ano Novo, Ano Novo e Dia de Reis).

Para o ‘reveillon’ e o Ano Novo, será decretada a “proibição de reuniões” a nível nacional em espaços públicos e será proibida a venda e o uso de produtos pirotécnicos, que costumam ser tradição nessa época.

Esta segunda-feira foram reportados mais 16.362 casos, havendo ainda a registar 188 mortes, elevando o total de óbitos para 21.975. Mas a semana passada foi mesmo a mais preocupante, com alguns dias a rondarem as 600 vítimas mortais por dia.

Os hospitais de todo o país têm avisado repetidamente que estão a chegar ao limite de internamentos e que lidar com os cuidados intensivos começava a ser um problema.

Às empresas é pedido que optem pelo teletrabalho ou que os trabalhadores possam tirar férias. Os bares e restaurantes encontravam-se já encerrados, bem como museus, teatros e todas as instalações desportivas.

António Guimarães / com Lusa-Atualizada às 13:32