A Alemanha identificou, pela primeira vez em três meses, mais de mil novos casos de Covid-19 num só dia, registando um total de 1.024 infeções nas últimas 24 horas, segundo o Instituto Robert Koch (RKI).

A última vez que o país superou esta barreira foi a 7 de maio deste ano. Os valores recomeçaram a subir no final de mês de julho, com a Alemanha a registar, desde o início da pandemia de Covid-19, um total de 213.067 casos.

Quantificaram-se mais sete vítimas mortais nas últimas 24 horas, para um total de 9.175. Houve uma subida dos casos curados, aproximadamente mais 600, para 195.200.

Esta terça-feira, vários especialistas alemães admitiam a existência de uma segunda vaga no país. O ministro da Saúde, Jens Spahn, comentou os números desta quinta-feira numa conferência de imprensa, repetindo que “a pandemia ainda não terminou”, e sublinhando a importância da realização de testes por parte dos viajantes que regressam à Alemanha.

Manter o vírus afastado é uma corrida de longa distância”, disse o ministro, mostrando-se preocupado com o crescimento das infeções no país e pedindo especial atenção às festas e reuniões familiares e às celebrações religiosas.

“Encorajo que cuidemos uns dos outros”, realçou, reforçando o apelo ao uso de máscara e ao cumprimento das regras de higiene e distanciamento de segurança.

A pandemia de Covid-19 já provocou mais de 701 mil mortos e infetou mais de 18,5 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 1.740 pessoas das 51.848 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

Nova política de testagem

A Alemanha vai exigir, a partir de sábado, testes de Covid-19 a todos os viajantes que regressem de regiões consideradas de risco para evitar impor quarentenas obrigatórias, disse hoje o ministro alemão da Saúde.

A decisão já havia sido anunciada na semana passada, mas ainda não tinha data para entrar em vigor.

A partir de sábado, as pessoas que regressem de áreas de risco serão obrigadas a fazer um teste. Ou seja, quem regressar de uma área desse tipo deverá trazer um [teste com] resultado negativo com menos de 48 horas ou fazê-lo aqui”, explicou o ministro, Jens Spahn, em conferência de imprensa, realizada em Berlim.

Até agora, qualquer pessoa que regressasse de uma lista de zonas de risco, que inclui a maioria dos países fora da União Europeia, mas também três regiões espanholas (Aragão, Catalunha e Navarra) e, desde quarta-feira, a província belga de Antuérpia, era obrigada a passar por uma quarentena de 14 dias na Alemanha.

Estou muito ciente de que se trata de uma intromissão na liberdade do indivíduo, mas acho que é razoável. Liberdade nem sempre significa só liberdade, implica também responsabilidade”, disse Spahn.

Esses testes serão pagos pelo Governo por “uma questão de solidariedade”, segundo o ministro.

/ AG