A Assembleia Nacional de França votou este sábado a prorrogação, até 16 de fevereiro, do estado de emergência sanitária, um regime de exceção que permite ao governo impor restrições para enfrentar a pandemia da covid-19.

O texto, aprovado por 71 contra 35, é esperado no Senado na quarta-feira e deverá ser aprovado definitivamente no final de novembro.

Na quarta-feira, o governo francês decidiu, em Conselho de Ministros, submeter ao parlamento um documento para prolongar o estado de emergência até 16 de fevereiro do próximo ano, altura em que poderão tomar-se novas medidas.

Esta decisão surge no dia em que França voltou a bater um novo recorde de casos diários, com mais 45.422 infeções reportadas, com o governo a revelar ainda que 138 pessoas que estavam hospitalizadas acabaram por morrer.

O número diário de contaminações aumentou em 3.390 comparativamente aos dados apresentados na sexta-feira, dia em que a França ultrapassou um milhão de casos confirmados desde o início da pandemia.

O país contabilizou mais 138 mortes, totalizando 34.645 óbitos, numa altura em que a taxa de positividade dos testes alcançou os 16%, face aos 15,1% da véspera e aos 4,5% que se registavam no início de setembro.

Nos cuidados intensivos, encontram-se quase 2.500 pacientes infetados, 233 dos quais nas últimas 24 horas.

O número de camas disponíveis nos cuidados intensivos situa-se à volta das 5.800, mas pode aumentar para 7.700 em menos de 15 dias, disse o ministro da Saúde francês, Olivier Véran.

Na primavera, durante o pico da pandemia, eram mais de 7.000 os pacientes hospitalizados nos cuidados intensivos.

São mais 1.667 os indivíduos internados nas últimas 24 horas, elevando o valor de hospitalizados para 15.637.

O estado de emergência entrou em vigor em França no dia 17 de outubro, por um período de pelo menos um mês.

De acordo com o porta-voz do governo francês, Gabriel Attal, o texto inclui a ideia de que as restrições à circulação e à reunião, bem como o encerramento antecipado do comércio poderão prolongar-se até abril do mesmo ano.

O recolher obrigatório foi imposto em várias cidades francesas, entre as quais Paris, Lyon, Lille, Montpellier, Toulouse e Marselha.

França ultrapassou na sexta-feira o milhão de casos confirmados de covid-19 tornando-se o segundo país da Europa Ocidental, depois da Espanha, a atingir esse número simbólico de infeções.

Especialistas afirmam que o número real de infeções é provavelmente muito maior dos divulgados oficialmente.

No total, França registou mais de 34.000 mortes associadas ao novo coronavírus, um dos números mais altos na Europa.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 1,1 milhões de mortos e mais de 42,2 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

/ Publicado por António Guimarães