A Alemanha foi o segundo país da União Europeia a detetar um caso de Covid-19. A 27 de janeiro é detetado um caso numa empresa de componentes automóveis, desde aí foi sempre a subir e neste momento são já 30 mil os casos detetados no país mais populoso da UE.

Se o ritmo de crescimento de infetados impressiona, o mesmo não se pode dizer do número de mortos. Entre os dez países com mais casos de infetados pelo novo coronavírus, a Alemanha é o país com a taxa de mortalidade mais baixa, aproximadamente 0,4%, são até agora 118 mortos, muito longe dos 9% em Itália. O contraste com Itália é ainda mais notório quando o número de infetados com mais de 65 anos é idêntico.

Vários especialistas apontam que o número de mortos na Europa será superior ao da maioria dos países asiáticos dado que a população é mais envelhecida. Até agora os números mostram essa tendência, mas há um fator que contribuiu para a exceção alemã. A Alemanha é o país da Europa que, segundo o Eurostat dispõe de mais camas em hospitais. São cerca de 800 por cada 100 mil habitantes, em Portugal são cerca de 340 (em Itália são 318). Os germânicos são ainda o país que mais gasta com o serviço nacional de saúde, cerca de 12% do PIB, Portugal gasta cerca de 9% (o que vale um 10º lugar entre os países da UE).

Estas estatísticas são a ponta do iceberg para o possível sucesso alemão, mas há um fator que os especialistas alemães apontam para já: tempo. A Alemanha conseguiu preparar o sistema de saúde para o aumento exponencial de infetados. Além disso que desde o primeiro caso detetado que foram colocados de quarentena e seguidos os passos de todas as pessoas que contactaram com infetados. Marylyn Addo, professor da Universidade de Medicina de Hamburgo garante que foi este sistema que “fez a Alemanha ganhar tempo para preparar os hospitais”.

Por outro lado a Alemanha é um dos país que adotou mais medidas de restrição à circulação população.

Ainda é muito cedo para afirmar que a Alemanha está mais preparada que os outros países para lidar com esta pandemia”, afirma Marylyn Addo, professor da Universidade de Medicina de Hamburgo.

Por fim, entre as ferramentas usadas estão os testes de despiste. A Alemanha, apesar de estar longe dos números da Coreia do Sul, é um dos países que realizou mais despistes ao Covid-19 e essencialmente à população mais jovem. É aqui que reside uma grande diferença segundo os especialistas alemães. Christian Drosten, virulogista num hospital de Berlim, avança que “um dos maiores problemas em Itália foi o facto de muitos jovens estarem infetados, terem infetado pessoas e nunca souberam”

Um método de contabilização diferente

Na Alemanha o processo de contabilização é mais lento que os restantes países. O médico que recebe o resultado envia para o delegado de saúde, que depois é responsável por inserir digitalmente num sistema informático e só depois são comunicados ao Instituto Robert Koch, responsável por comunicar os números à OMS.

A grande diferença sente-se nos exames pós-morte. Enquanto que em Itália todos as pessoas que morrem são testadas, na Alemanha não são feitos esses tipos de testes. Pondo em prática, se um doente estiver no hospital com uma doença, como cancro, diabetes ou hipertensão e morrer não é testado para Covid-19. Assim podem estar a morrer pessoas em hospitais que podem ter contraído o vírus e nuca foram testadas.