A Bélgica decretou esta sexta-feira o regresso ao confinamento, numa altura em que o número de casos diários no país tem vindo a subir, o que está a exercer grande pressão sobre o sistema de saúde. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro, que fala num cenário "mais severo" para a medida aplicada.

O nosso país está em estado de emergência sanitária. A pressão é imensa, como terão certamente visto nos últimos dias. De momento existe apenas uma escolha, que é apoiarmos a saúde o máximo que podemos. Temos de limitar os nossos contactos físicos o mais possível", afirmou Alexander De Croo.

O governo proibiu que a população receba visitas em casa, com a exceção de "contactos afetivos". As pessoas que vivam sozinhas estão autorizadas a ter dois contactos deste género.

No exterior, os ajuntamentos passam a ter um máximo permitido de quatro pessoas, sendo que é obrigatório o distanciamento social e a utilização de máscara.

As férias de outono vão voltar a ser estendidas, com as escolas a ficarem fechadas até 15 de novembro. Depois dessa data, os níveis mais altos de escolaridade deverão alternar entre o ensino presencial e o ensino à distância.

As lojas consideradas não essenciais vão fechar e o telebralho passa a ser obrigatório. Caso não seja possível, é obrigatório o uso de máscara e o distanciamento social nos locais de trabalho.

Os bares e restaurantes também vão voltar a fechar, sendo que os hotéis podem permanecer abertos, mas a comida deve ser servida nos quartos.

As atividades profissionais que não estejam ligadas aos cuidados médicos mas que requerem contacto próximo, como é o caso de cabeleireiros ou salões de estética, devem fechar.

Segundo os dados da John Hopkins, a Bélgica já registou quase 400 mil casos, dos quais mais de 11 mil resultaram em vítimas mortais. O crescente número de casos diário tem levado a uma crescente pressão sobre as unidades de internamento do país, com o governo a admitir que a capacidade hospitalar está perto do limite.

António Guimarães