Com o aumento do número de casos de infeção com o novo coronavírus, alguns países da Europa endurecem medidas para conter o contágio, decretando o recolher obrigatório, o uso de máscaras na rua e o encerramento de cinemas, teatros e ginásios.

As novas medidas que começam a ser aplicadas em países como Itália, Bélgica e Espanha incluem novos horários para bares e restaurantes.

O overno de Espanha aprovou o estado de emergência sanitária, que permitirá a instauração do recolher obrigatório em todo o país para travar o aumento de casos do novo coronavírus, anunciou o primeiro-ministro.

O estado de alerta - nome exato deste regime de exceção que corresponde a um estado de emergência sanitária – terá uma duração de seis meses e será acompanhado de um recolher obrigatório em todo o país com exceção das ilhas Canárias, indicou Pedro Sánchez.

O chefe do governo espanhol precisou que o recolher obrigatório decorrerá entre as 23:00 e as 06:00, podendo as regiões avançar ou atrasar uma hora em função das características locais.

Em Itália, após os números recorde de novas contaminações, o governo decidiu apertar as restrições contra o coronavírus, apesar dos protestos nos últimos dias em Roma e Nápoles contra o recolher obrigatório imposto em três regiões.

Cinemas, teatros, academias e piscinas fecham a partir de segunda até 24 de novembro. Bares e restaurantes terão de encerrar após as 18:00.

A Itália registou um novo recorde de infeções desde o início da pandemia, com a notificação de 21.273 novas infeções nas últimas 24 horas e 128 óbitos, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde.

As infeções continuam a aumentar, assim como o número de mortes, e desta vez mesmo com menos testes realizados, 161.880 contra 177.000 no sábado.

Na Bélgica, as autoridades de Bruxelas decidiram antecipar da meia-noite para as 22:00 o recolher obrigatório imposto no país e ordenaram o encerramento das lojas às 20:00.

Foi ainda determinado que a partir de segunda-feira é obrigatório o uso de máscara em todos os espaços públicos da região de Bruxelas, onde também estarão encerrados espaços culturais, como cinemas, teatros ou museus.

A Bélgica registou, no sábado, 15.432 casos de infeção pelo novo coronavírus, o maior número de infeções diárias registadas no país desde o início da pandemia.

As autoridades belgas reforçaram na sexta-feira as medidas de combate à pandemia de covid-19, reduzindo a presença de estudantes nas universidades e fechando ao público as competições desportivas, com o país em nível de alerta 4.

No anúncio das novas regras, que vigoram até 19 de novembro, o primeiro-ministro da Bélgica, Alexander de Croo, apelou para a responsabilidade individual e comportamentos coletivos dos cidadãos, de modo a evitar o recurso a um novo confinamento.

Ensino superior, desporto e cultura são as áreas mais visadas pelas novas regras, que impõem um limite de 20% de presenças de estudantes nas universidades, com uso obrigatório de máscara.

As escolas do ensino primário e secundário continuam abertas a todos os alunos.

As competições desportivas profissionais voltarão a ter lugar sem público, mesmo que decorram ao ar livre, e as amadoras ficam suspensas, salvo as dos menores de 18 anos, que poderão continuar, mas com a presença de apenas um membro da família de cada jogador.

Por outro lado, apenas um máximo de 15 pessoas podem assistir aos funerais e devem manter uma distância de segurança de 1,5 metros, os casamentos serão celebrados apenas com a presença dos noivos, testemunhas e do responsável pela cerimónia e a oferta de transportes públicos é reforçada para minimizar os ajuntamentos.

Em França a Assembleia Nacional votou no sábado a prorrogação, até 16 de fevereiro, do estado de emergência sanitária, um regime de exceção que permite ao Governo impor restrições para enfrentar a pandemia da covid-19.

O recolher obrigatório foi imposto em várias cidades francesas, entre as quais Paris, Lyon, Lille, Montpellier, Toulouse e Marselha.

A Alemanha ultrapassou no sábado os dez mil mortos por covid-19 desde o início da pandemia, após contabilizar 49 óbitos e 14.714 infetados nas últimas 24 horas, registando um novo recorde diário de contágios.

A Alemanha, que até agora tinha sido poupada pela primeira onda da primavera, enfrenta há várias semanas, como todos os países europeus, um aumento acentuado nos casos, o que levou as autoridades a endurecer as medidas contra a pandemia, em particular proibindo aglomerações.

Por outro lado, foram decididas restrições locais, como em Berlim, onde o uso de máscaras foi imposto em certas ruas movimentadas, e em outras zonas do país, o confinamento.

Na Croácia, país com 4,5 milhões de habitantes, o Governo também aumentou as restrições depois de ter registado um valor recorde de casos diários desde o início da pandemia.

O país tem 2.421 novos casos de infeção com o novo coronavírus, o dobro do último fim de semana.

Devido à falta de pessoal médico e de espaço nos hospitais, o ministro da Saúde, Vili Beros, anunciou que os estudantes de medicina voluntários vão dar assistência aos médicos e que novos espaços, como o grande centro desportivo Arena em Zagreb, serão preparados para a receção de pacientes.

O número máximo de pessoas nas reuniões públicas é mantido em 50, com prévio aviso às autoridades, mas o número de participantes em casamentos e funerais é limitado a 30, enquanto será de 15 em outras celebrações familiares.

As máscaras, que já são obrigatórias em espaços públicos fechados, também serão obrigatórias nos cemitérios durante a próxima festa católica do Dia de Todos os Santo e em qualquer local onde não haja distância mínima de 1,5 metros entre as pessoas.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 1,1 milhões de mortos e mais de 42,6 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 2.316 pessoas dos 118.686 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

/ AG