É um dos países com a mais alta taxa de vacinação contra a covid-19. Com mais de 61% da população totalmente imunizada (mais que Israel, por exemplo), as Seychelles estão bem perto dos 70% de vacinados, o número que se acredita ser necessário atingir para conseguir a imunidade de grupo.

Certo é que esse objetivo não foi, de todo, atingido naquele arquipélago do Índico. No último mês, e acompanhado o evoluir da vacinação, as autoridades têm registado um constante aumento dos novos casos, o que levou o governo a impor novas restrições, numa altura em que tal parecia ser pouco provável.

Com cerca de 98 mil habitantes, as Seychelles têm atualmente mais de 2.700 casos ativos, o país tem mais de 2% da população infetada, uma das maiores taxas de todo o mundo.

O caso parece ser ainda mais grave, uma vez que um terço dos casos ativos foram reportados em casos de pessoas que foram totalmente vacinadas, como confirmou o Ministério da Saúde.

Para os especialistas, e apesar dos dados, isto não significa que as vacinas não estejam a funcionar, e o que as autoridades temem é que os surtos também possam estar a ser causados pela chegada de turistas.

Em todo o caso, este é um exemplo de que uma alta taxa de vacinação pode não ser suficiente para aniquilar a presença do vírus.

Há pouco mais de um mês, a situação era bem diferente. As Seychelles viviam uma fase tão boa, que o governo decidiu levantar praticamente todas as restrições ao turismo no país.

Tinham poucos casos e uma vacinação massiva, e a tentação de ceder ao turismo (setor que tem uma grande influência na economia do país) foi mais forte.

Apenas com a apresentação de um teste PCR negativo, turistas de quase todos os países podiam entrar nas Seychelles. À data, em pleno mês de abril, as Seychelles tinham confirmado um total de apenas 3.800 casos e apenas 16 mortes por covid-19.

Um mês depois, o total de casos triplicou para mais de nove mil, com as mortes a dobrarem, para 32.

Embora não tenha dados razões concretas para o surgimento dos surtos, o ministro dos Negócios Estrangeiros e do, Sylvestre Radegonde, reconheceu que pode ter havido um grande relaxamento por parte da população, que deixou de cumprir as restrições à risca.

Com apenas duas pessoas internadas nos cuidados intensivos, o governo mantém a confiança, e reitera: "A conclusão é que as vacinas estão a proteger as pessoas. Os que foram vacinados não estão a desenvolver complicações", disse Sylvestre Radegonde, ainda que 20% dos últimos dados de internamento se reportem a pessoas totalmente vacinadas.

As Seychelles estão a utilizar as vacinas desenvolvidas pela chinesa Sinopharm e a anglo-sueca AstraZeneca, na forma de Covishield, a subdsidiária desenvolvida na Índia.

De todas as pessoas totalmente vacinadas, 57% receberam a vacina chinesa, que apenas recentemente foi aprovada pela Organização Mundial de Saúde, mas ainda está em discussão por parte dos reguladores ocidentais, como a Agência Europeia do Medicamento.

António Guimarães