Os Estados Unidos registaram 1.015 mortos causados pela Covid-19 nas últimas 24 horas, o número mais baixo em um mês, indicou esta terça-feira a Universidade Johns Hopkins. 

Estes novos óbitos, registados entre as 20:30 de segunda-feira (01:30 de terça-feira em Lisboa) e a mesma hora na véspera, elevam para 68.689 o número de vítimas mortais desde o início da epidemia no país, o mais afetado pela Covid-19 no mundo, de acordo com os dados oficiais. 

Os Estados Unidos registam também o maior número de pessoas infetadas com a doença, com perto de 1,2 milhões de casos identificados. Cerca de 187.180 doentes foram já declarados curados. 

De acordo com um documento interno da administração norte-americana, divulgado pelos jornais New York Times e Washington Post, prevê que o número de mortos diários devido à Covid-19 poderá quase duplicar até 1 de junho. 

O relatório prevê mais de três mil mortos e 200 mil novos casos registados todos os dias até àquela data, numa altura em que alguns estados norte-americanos começaram progressivamente a pôr fim às medidas de confinamento impostas à população. 

Senado dos EUA reabre, Câmara dos Representantes permanece fechada

O Senado reabriu esta terça-feira portas, apesar de Washington ainda ser um foco de contágio do novo coronavírus (covid-19), mas a Câmara dos Representantes permanece fechada, simbolizando a atual divisão do Congresso dos Estados Unidos.

Os cem membros do Senado, câmara alta do Congresso, reuniram-se hoje pela primeira vez desde março, enquanto a Câmara dos Representantes, câmara baixa do Congresso, se mantém encerrada devido aos riscos sanitários.

A capital norte-americana, Washington, permanece um foco do vírus, apesar das imposições de confinamento.

Na retoma dos trabalhos, os senadores têm de usar máscara e manter o distanciamento, deixando a maioria das suas equipas de apoio em casa. O acesso público é limitado e os visitantes continuam proibidos de visitar o edifício do Capitólio, onde permaneceram, durante as cinco semanas de encerramento, funcionários de limpeza e de cozinha e agentes policiais.

O Congresso permanece dividido quanto aos apoios a disponibilizar para enfrentar a pandemia, que já causou 68.285 mortos nos Estados Unidos, número um da tabela igualmente para os casos de infeção confirmados (mais de 1,1 milhões).

O líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, abriu a sessão de hoje sem falar na pandemia.

“Temos um trabalho importante a fazer em prol da nação”, disse, defendendo que os senadores são “trabalhadores essenciais”.

A ala republicana tem minado os esforços da ala democrata, liderada pela presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, mostrando-se relutante em libertar fundos federais extraordinários, além dos quase três biliões de dólares já aprovados pelo Congresso para impulsionar a economia, que sofreu um duro impacto com esta crise.

Os democratas estão a preparar um novo pacote de ajudas que deverão revelar em breve.

No fim de semana, e depois de o gabinete médico do Congresso ter informado de que não existem condições para realizar testes ao vírus a deputados, assessores e funcionários, o Presidente dos EUA, Donald Trump, ofereceu acesso ao sistema usado na Casa Branca para testar visitantes.

Num comunicado conjunto inédito, republicanos e democratas (McConnell e Pelosi) rejeitaram “respeitosamente” a oferta presidencial, preferindo que os recursos sejam encaminhados para a linha da frente de combate ao novo coronavírus, “onde podem ser mais úteis”.

Trump reagiu hoje, numa publicação na rede social Twitter, lamentando que o Congresso se considere “não essencial”.

Na mesma mensagem, Trump diz que os Estados Unidos já realizaram 6,5 milhões de testes, o que representa “mais do que qualquer outro país no mundo”. Ora, a equipa de verificação de factos da agência Associated Press publicou um texto garantindo que o que o Presidente diz “não é nem de perto verdade”.

No total, “mais de 40 outros países já testaram uma proporção maior das suas populações do que os Estados Unidos”, incluindo Rússia e Canadá, países com uma área comparável, conclui a AP.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 250 mil mortos e infetou mais de 3,5 milhões de pessoas em 195 países e territórios. 

Mais de um milhão de doentes foram considerados curados.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Para combater a pandemia, os governos mandaram para casa 4,5 mil milhões de pessoas (mais de metade da população do planeta), encerraram o comércio não essencial e reduziram drasticamente o tráfego aéreo, paralisando setores inteiros da economia mundial.

Face a uma diminuição de novos doentes em cuidados intensivos e de contágios, alguns países começaram a desenvolver planos de redução do confinamento e em alguns casos a aliviar diversas medidas.

/ publicado por Rafaela Laja