Já morreram mais pessoas por Covid-19 nos Estados Unidos do que na China, país onde se iniciou a pandemia, de acordo com o relatório oficial chinês e a contagem da Universidade Johns Hopkins, atualizados esta terça-feira.

A pandemia de Covid-19 já matou pelo menos 3.415 pessoas nos EUA, superando as 3.305 mortes na China.

Os Estados Unidos registam 174.467 casos confirmados de infeção pelo novo coronavírus e seis mil já recuperaram da doença, segundo a contagem da Universidade Johns Hopkins.

Na cidade de Nova Iorque, que se tornou o epicentro da pandemia nos EUA, morreram cerca de mil pessoas, quase um terço das fatalidades de todo o país, havendo ainda mais 486 mortes neste estado da costa leste dos Estados Unidos.

As autoridades sanitárias de Nova Iorque dizem que estão a unificar e a reforçar o sistema de saúde, enquanto aguardam um aumento do número de infeções até se atingir o pico, que, de acordo com estimativas, pode demorar entre sete a 21 dias.

Estamos a chegar ao pico, mas ainda estamos do outro lado da montanha. Continuamos a subir e o número de pessoas que fizeram o teste foi quase recorde. (…) O número de pessoas testadas é de cerca de 200.000, para uma população de 19 milhões. Isso está a ajudar a encontrar os casos positivos”, disse o governador do estado de Nova Iorque, Andrew Cuomo.

Cuomo lembrou que o sistema hospitalar tem “dois universos separados”, o público e o privado, mas que se está a procurar unificar o sistema para amplificar a sua eficácia, no momento em que a crise parece testar a resiliência das operações sanitárias.

O governador de Nova Iorque criticou ainda o governo federal por estar a competir no mercado com os governos estaduais na compra de ventiladores, “como se estivéssemos no eBay (um portal de leilões ‘online’)”.

A gravidade da situação levou à instalação de um hospital de campanha no Central Park, no coração da cidade.

O estado vizinho de New Jersey é o segundo mais afetado, com 198 mortes, seguido do Estado de Washington, na costa oeste, com 150 mortes.

Esta semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, decretou o prolongamento de medidas de confinamento até final de abril, depois de ter sido informado, pelos seus conselheiros, de estimativas que colocam o número de mortes no país acima da fasquia das 100 mil.

Durante uma comunicação na Casa Branca, Deborah Birch e Anthony Fauci, dois dos principais conselheiros presidenciais para a crise sanitária, disseram que as diversas estimativas existentes apontam para a possibilidade de virem a morrer entre 100 e 200 mil pessoas nos Estados Unidos, vítimas da pandemia Covid-19.

Na mesma comunicação, Donald Trump admitiu que, de acordo com as estimativas que lhe foram apresentadas, mais de dois milhões de pessoas poderiam morrer nos EUA, se nada fosse feito.

Depois de Itália e Espanha, também França ultrapassou o número de vítimas mortais confirmadas na China, pelo que os EUA são o quarto país a apresentar esse registo.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia Covid-19, já infetou mais de 791 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 38 mil.

Dos casos de infeção, pelo menos 163 mil são considerados curados.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

/ AG