O número de casos de infetados por Covid-19 multiplica-se de dia para dia. O novo coronavírus já se alastrou pelo mundo todo, no entanto, há um grupo de países, cada vez mais reduzido, que resiste e ainda não tem qualquer caso confirmado.

Samoa, reino de Tonga, arquipélago de Palau, Turquemenistão, Coreia do Norte e o continente da Antártida ainda não registaram qualquer infeção. O que têm em comum?

No microestado de Palau, situado no Oceano Pacífico, apesar de continuar sem registar qualquer caso de Covid-19, a vida há muito deixou de ser tranquila.

Klamiokl Tulop, uma mãe solteira, de 28 anos, tem esperança de que a pequena ilha possa evitar o destino de algumas das zonas mais afetadas do mundo, onde os serviços de saúde não estão a conseguir dar resposta ao elevado número de casos que desenvolveram complicações respiratórias.

Conseguimos sentir um aumento da tensão e da ansiedade quando vamos às compras”, revelou, em declarações à agência AFP. “As lojas estão ainda mais cheias durante as semanas que não são do dia de pagamento.”

A ansiedade na ilha aumentou quando, nos últimos dias, o arquipélago da Marianas do Norte confirmou o seu primeiro caso, seguido de uma morte, na segunda-feira.

Apesar de se manter livre do contágio do novo coronavírus, a pequena ilha sofre dos mesmos medos que o resto do mundo. A incerteza levou a uma enchente nos supermercados da cidade de Koror, a maior do país, onde já existe falta de gel desinfetante, máscaras e álcool.

Isolada no meio do oceano, a pequena ilha depende do abastecimento por via marítima ou por via aérea, o que, para os seus habitantes, significa que vários bens essenciais podem escassear mais depressa do que se pensa.

A companhia aérea United Airlines costumava fazer a ligação aérea com a vizinha Guam seis vezes por semana. No entanto, com a confirmação de mais de 50 casos na ilha norte-americana, a ligação foi reduzida para apenas um voo semanal.

Gostava de estar otimista de que não teremos o vírus”, disse Tulop. “Mas Palau vai ter o vírus. Dependemos muito do turismo e a maioria dos nossos habitantes precisa de viajar para trabalhar.”

Noutras situações, não relatar nenhum caso não significa que não haja casos a serem relatados.

Na Correia do Norte as medidas de emergência são dadas como um sucesso inquestionável pelas autoridades locais. Ao contrário da remota ilha do Oceano Pacífico, o país não beneficia de isolamento geográfico.

Apesar de fazer fronteira com a China, o epicentro da pandemia, e com a Coreia do Sul, um dos países com mais casos confirmados, Pyongyang garante não ter qualquer caso de Covid-19.

No entanto, a televisão estatal norte-coreana foi apanhada a alterar imagens de cidadãos norte-coreanos, colocando-lhes máscaras cirúrgicas, um ato que levanta sérias questões sobre a versão oficial avançada pelo país.

À semelhança de Palau, também a Antártida beneficia do seu extremo isolamento. Várias bases de expedições científicas no continente gelado são, neste momento, autênticos redutos de normalidade, em comparação com o resto do mundo.

É esse o cenário descrito nas quatro bases australianas de pesquisa científica, que alojam 90 cientistas. Ali não existem medidas de distanciamento social. Bares e ginásios estão abertos e os grandes jantares à mesa continuam a fazer parte da rotina dos cientistas.

São provavelmente os únicos australianos que podem jantar juntos e ter o bar e o ginásio aberto”, afirmou o gestor de operações da Divisão de Operações na Antártida, Robb Clifton, à AFP.

A expedição está preparada para ficar isolada até novembro, momento em que as equipas serão rendidas. Porém, a relativa segurança com que vivem, não significa que a preocupação não esteja presente.

O principal pensamento dos expedicionários é com o bem-estar das suas famílias e amigos”, revelou Robb Clifton.

Mais de 37 mil pessoas morreram de Covid-19, um pouco por todo o mundo. São já mais de 780 mil infetados em, pelo menos, 178 países.