Depois de a vacina ter chegado como uma autêntica "luz ao fundo do túnel", como disse o próprio primeiro-ministro português, o corte no fornecimento de várias doses por parte das mais variadas farmacêuticas deixou a União Europeia de mãos a abanar.

Perante isso, e numa altura em que os 27 Estados-membros tentam acelerar o processo de vacinação, que tem sofrido sucessivos atrasos, há quem tente lucrar com a quase desesperada procura por vacinas.

É o que tem acontecido na União Europeia, segundo relata o Organismo Europeu de Luta Antifraude (OLAF, na sigla original), citada pela Reuters, que diz que intermediários ofereceram aos países de vários governos europeus um total de mil milhões de doses inexistentes de vacina contra a covid-19, numa operação estimada em 14 mil milhões de euros.

Este esquema, que foi identificado como uma burla, passava por receber o pagamento adiantado, não fornecendo quaisquer detalhes sobre a entrega das vacinas. Perante isto, as diferentes farmacêuticas que já têm contratos em prática com a União Europeia (AstraZeneca, Moderna e Pfizer) pedem que todos os negócios sejam feitos diretamente entre as partes envolvidas, sem recurso a intermediários.

Segundo Ville Itala, a chefe da OLAF, este tipo de casos ocorre com muita frequência: "É massivo. Enviam uma oferta, que não é real", refere.

A responsável acrescentou ainda que os esquemas identificados têm ligações a criminosos conhecidos que estão conotados com longas cadeias de intermediários que operam fora da União Europeia.

Onde existe muito dinheiro envolvido, os fraudulentos tentam sempre meter-se", afirmou.

A OLAF lembra que podem surgir deste tipo de casos consequências financeiras, mas também de outras ordens, como a confiança das populações.

A organização está a trabalhar diretamente com os governos da União Europeia e com as diferentes instâncias judiciais, num processo que é acompanhado pelas farmacêuticas envolvidas. O objetivo é trazer à justiça os criminosos.

António Guimarães