O Irão anunciou este domingo a reposição de restrições face ao novo coronavírus nas principais cidades, à medida que a disseminação da variante Delta, altamente contagiosa, estimula o medo do aparecimento de outro surto devastador no país.

Depois de mais de um ano a lutar contra o pior surto pandémico no Médio Oriente, o Irão ordenou o encerramento de negócios não essenciais em 275 cidades, incluindo a capital, Teerão.

O encerramento de todos os parques públicos, restaurantes, salões de beleza, centros comerciais e livrarias aplica-se às zonas “vermelha” e “laranja” do país ou nos municípios classificados com risco elevado de covid-19.

O governo anunciou também a proibição de viagens entre cidades com altas taxas de infeção pelo SARS-CoV-2.

As novas restrições no Irão visam desacelerar a disseminação da variante Delta, altamente transmissível e detetada pela primeira vez na Índia.

No sábado, o Presidente iraniano, Hassan Rouhani, alertou para uma eventual “quinta vaga” de covid-19 causada pela variante Delta.

Acreditamos que podemos estar a caminho da quinta vaga em todo o país", disse Hassan Rohani, numa reunião do Comité Nacional da luta contra o vírus, acrescentando que nas províncias do sul será preciso ter mais "cuidado, porque a variante Delta já se espalhou".

Os relatos de novos casos de infeção pelo novo coronavírus têm vindo a aumentar constantemente nas últimas semanas e quase duplicaram entre meados de junho e o início de julho.

O Irão registou um total de 3,2 milhões de infeções pelo SARS-CoV-2 e 84.627 mortes, sendo o país do Próximo e Médio Oriente mais afetado pela pandemia da covid-19.

O pico de novas infeções ocorre num momento em que o processo de vacinação está atrasado, com menos de 2% da população vacinada, num total de 84 milhões de cidadãos, segundo a publicação científica ‘Our World in Data’.

O Irão diz que até ao momento foram administradas cerca de 6,3 milhões de doses.

As vacinas que chegam ao país vieram principalmente do exterior, incluindo da COVAX, uma iniciativa internacional que visa distribuir vacinas contra a covid-19 nos países de baixo e médio rendimento.

O Irão importou ainda vacinas Sinopharm, apoiadas pelo Estado chinês, e Sputnik V, da Rússia.

Com as vacinas estrangeiras ainda em número escasso, o país acelerou esforços para desenvolver localmente vacinas contra a covid-19.

No mês passado, as autoridades concederam autorização de uso de emergência para a vacina COVIran Barekat, produzida localmente, sem publicarem dados sobre a sua segurança ou eficácia.

O líder supremo do Irão, aiatola Ali Khamenei, que já se tinha mostrado contra a importação de vacinas americanas e britânicas, recebeu a vacina local na TV estatal e encorajou a população a fazer o mesmo.

/ AG