A Austrália vai ficar bem aquém do objetivo de vacinação contra a covid-19 inicialmente traçado. Este é o cenário admitido pelo primeiro-ministro esta quarta-feira, com Scott Morrison a afirmar que a Europa tem parte da culpa pelo atraso.

Apesar daquilo que tem sido considerado um sucesso na contenção do vírus, a Austrália é um dos países mais desenvolvidos do mundo com menos vacinas disponíveis.

Até ao momento, foram administradas 670 mil doses da vacina, segundo os dados oficiais, numa altura em que o governo esperava já ter atingido as quatro milhões de doses dadas.

Scott Morrison afirmou que este objetivo foi redefinido há vários meses, admitindo que a dificuldade em receber três milhões de doses vindas da Europa vai "obviamente ter um impacto".

Não é uma corrida", disse o primeiro-ministro, que acusa os críticos de "quererem jogar política com vacinas e distribuição".

No começo da pandemia, Scott Morrison apressou-se a dizer que a Austrália seria um dos países "na linha da frente" da vacinação, depois de ter chegado a acordos com as vacinas da AstraZeneca, Novavax e Pfizer. Agora, o objetivo de ter todos os adultos vacinados até outubro pode ficar comprometido, objetivo que agora passa a ser de ter todos os adultos inoculados com uma dose pela mesma altura.

A Austrália tem sido capaz de conter a propagação do vírus, mas tem tomado medidas de forma regular para conter surtos que surgem em hospitais e em hotéis, muitas vezes provocados pela chegada de estrangeiros.

Atualmente, cerca de dois milhões de pessoas estão em quarentena na área de Brisbane, a terceira maior cidade do país, isto depois de terem sido detetados 12 casos.

O país já reportou cerca de 30 mil casos de covid-19, num total de 25 milhões de pessoas.

Para a vacinação o país contava largamente com a exportação de vacinas da AstraZeneca, que deveria ter origem na União Europeia. Mas com o incumprimento da farmacêutica anglo-sueca na distribuição de vacinas, os 27 Estados-membros têm resistido de forma veemente em dar vacinas a outros países fora da comunidade.

António Guimarães