O Ministério da Saúde espanhol fez este sábado a atualização dos números de Covid-19. Segundo o último boletim, registaram-se 809 óbitos nas últimas 24 horas, o que leva o total para 11.744.

O número total de infetados é, agora, de 124.736, um acréscimo de 7.026 relativamente ao último balanço.

Um dos dados mais preocupantes continua a ser a taxa de hospitalização. Com 57.612 doentes internados, mais de metade (63%) dos casos ativos requerem internamento. Destes, 6.532 pacientes estão em unidades de cuidados intensivos.

Espanha volta a ultrapassar Itália no número total de casos, e é o segundo país com mais diagnósticos confirmados de novo coronavírus, apenas atrás dos Estados Unidos.

O número total de pessoas curadas é agora de 34.219, e é um dos indicadores mais positivos, uma vez que se trata do segundo país com mais doentes recuperados, apenas atrás da China.

Estado de emergência prolongado até 26 de abril

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, anunciou o prolongamento do “estado de emergência” até à meia-noite de 25 de abril, para travar a covid-19 numa altura em está “superado o pico” da pandemia.

"O Conselho de Ministros da próxima terça-feira vai pedir, mais uma vez, a autorização do Congresso dos Deputados para prorrogar, pela segunda vez, o estado de emergência […] até sábado, 25 de abril, à meia-noite", afirmou Sánchez numa mensagem televisiva, depois de uma ronda de contactos com os líderes da oposição.

O chefe do Governo indicou que as medidas de contenção muito rígidas, que incluem o confinamento em casa para todos, salvo os que trabalham em serviços essenciais, vão continuar, mas se a luta contra a pandemia evoluir de uma forma satisfatória, o “estado de emergência” deverá prosseguir, embora com os cidadãos a “começarem a recuperar alguma coisa” da sua vida.

“Tudo indica que estamos a começar a ver a luz ao fim do túnel”, disse Pedro Sánchez, defendendo que, "uma vez superado o pico" da propagação do vírus da covid-19 na semana que passou, o país está "em condições de obrigar a baixar a curva" da expansão da epidemia.

O chefe do Governo manifestou a intenção do executivo de, a seguir ao fim-de-semana de Páscoa, começar a suavizar as medidas que impedem a deslocação de pessoas e permitir “recuperar” o “estado de emergência” inicial, em que se autorizava a deslocação ao local de trabalho para aqueles que não podem trabalhar a partir de casa.

"A vitória é possível e está cada dia mais próxima", disse Pedro Sánchez, que pediu "sacrifício e moral de vitória" para derrotar o novo coronavírus, acrescentando que na última semana “foram as horas mais duras e mais amargas”, mas que o país conseguiu passar de uma taxa de propagação diária da covid-19 de 20% até os atuais 6%.

O chefe do Governo disse ainda que uma equipa de epidemiologistas e cientistas já está a preparar o plano a aplicar quando a curva de infeção baixar, mas avisou que irá continuar a pedir o parecer dos especialistas antes de tomar novas medidas.

Antes de fazer esta mensagem televisiva, Sánchez falou com os principais líderes da oposição de direita, que apoiaram a prorrogação do “estado de emergência”.

O Governo espanhol decretou o estado de emergência durante 15 dias em 14 de março, que foi prorrogado pelo parlamento a partir de 28 do mesmo mês.

Alemanha ultrapassa os 85 mil infetados

A Alemanha, quarto país no mundo com mais casos diagnosticados, regista este sábado 85.778 infetados, um aumento de 6.082 em relação ao dia anterior, revela a entidade responsável pela prevenção e controlo de doenças.

De acordo com o Instituto Robert Koch são agora 1.158 vítimas mortais, um aumento de 141 nas últimas 24 horas.

O estado federado da Baviera, o maior do país e o mais afetado, ultrapassa os 21.900 casos e regista 349 vítimas mortais. Bremen é, por agora, o que menos sofre com o novo coronavírus, com 354 casos e seis vítimas mortais.

A chanceler alemã, Angela Merkel, terminou esta sexta-feira a sua quarentena de 14 dias e regressou à sede do Governo, após três testes indicarem que não está infetada com o coronavírus, disse um porta-voz da chancelaria.

A líder do executivo alemão gravou um novo vídeo reiterando a importância do cumprimento das medidas de contenção nesta época festiva.

Todos viveremos uma época de Páscoa completamente diferente”, salientou, sublinhando que este ano não haverá igreja, reuniões familiares, férias na praia, caminhadas ou fogueiras com grupos, “este ano não”.

Uma sondagem revelada esta sexta-feira pelo Infratest Dimap para a emissora ARD, indica que quase três quartos dos alemães que podem votar (72%) estão satisfeitos com a atuação do Governo face à pandemia.

O estudo mostra que apenas 30% dos entrevistados criticam o executivo de Berlim. Mais de 90% dos eleitores apoiam o distanciamento social.

O medo de contrair Covid-19 cresceu no país. Há um mês, um quarto dos alemães temia ser infetado, agora o receio afeta 51% da população.

António Guimarães / notícia atualizada às 15:52