A Organização Mundial de Saúde (OMS) disse, esta segunda-feira, que não existem evidências de que o vírus que origina a doença Covid-19 esteja a mudar a forma de transmissão ou gravidade.

Em termos de transmissão, nada mudou, e em termos de intensidade, nada mudou", afirmou Maria Van Kerkhove, epidemiologista da OMS. 

Este anúncio surgiu depois de Alberto Zangrillo, chefe do Hospital San Raffaele em Milão, na região norte da Lombardia, ter dito que novo coronavírus estaria a perder força e a tornar-se menos letal

O que é importante é que existem medidas em vigor para reduzir e impedir a trasmissão", acrecentou a especialista.

Questionado na conferência de imprensa de acompanhamento da pandemia desta segunda-feira sobre um eventual enfraquecimento do novo coronavírus, o diretor do programa de emergências sanitárias da OMS, Michael Ryan, afirmou que "não se pode correr o risco" de acreditar nisso.

Este ainda é um vírus assassino e temos que ter um cuidado extraordinário para não achar que o vírus, por sua própria vontade, decidiu ser menos patogénico", declarou.

Os novos vírus estão sujeitos a evoluir e podem tornar-se mais ou menos patogénicos, mas quanto ao novo coronavírus, Ryan argumentou que "não se sabe" em que estado está.

Afirmou que as medidas tomadas por todo o mundo de restrição de contactos entre pessoas e tratamento atempado e isolamento de doentes podem estar a "reduzir o número, intensidade e frequência de exposição" ao vírus e que isso é que está a determinar uma redução do número de novos casos em países como Itália, que foi um dos países mais atingidos durante o pico da pandemia.

Superficialmente, o vírus pode parecer mais fraco, mas talvez isso se deva a estarmos a agir melhor [contra a covid-19], não porque esteja realmente a enfraquecer".

Michael Ryan destacou que a situação mais preocupante verifica-se agora no continente americano, onde se localizam cinco dos dez países com mais novos casos diários, como os Estados Unidos e o Brasil.

OMS aponta para risco de resistência microbiana aumentar

A pandemia da Covid-19 fez aumentar o uso incorreto de antibióticos e aumenta o risco de resistência microbiana a estes medicamentos. O diretor geral da organização, Tedros Ghebreyesus, afirmou que a pandemia "levou ao uso acrescido de antibióticos, que levará, em última instância, a taxas de resistência microbiana mais altas que terão impacto nas doenças e mortes durante a pandemia e para além dela".

A OMS está preocupada com "o uso incorreto de antibióticos" [que não servem para tratar infeções virais como a Covid-19] durante a pandemia e salienta que "apenas uma pequena proporção de pessoas doentes com Covid-19 precisará de antibióticos para tratar infeções bacterianas subsequentes".

Nas suas orientações clínicas, a agência de saúde da ONU recomenda que "não se aplique terapia ou profilaxia com antibióticos a doentes com covid-19 ligeira" a não ser que haja indicação clínica nesse sentido.

Tedros Ghebreyesus defendeu que é preciso investir na investigação de novos agentes antimicrobianos tanto como em terapias e vacinas.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 370 mil mortos e infetou mais de seis milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Mais de 2,5 milhões de doentes foram considerados curados.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Cláudia Évora / com Lusa - atualizada às 20:29