Nos campos de refugiados não há distanciamento social, higienização frequente das mãos ou sequer capacidade hospitalar para acolher casos de Covid-19. Por estes motivos, o eurodeputado espanhol Juan Aguilar pediu à União Europeia ajuda para se evacuar os campos de refugiados das ilhas gregas.

Numa carta dirigida à UE, o presidente da comissão parlamentar das Liberdades Civis do Parlamento Europeu considera que a retirada dos migrantes é “uma medida preventiva urgente” para evitar “muitas mortes”.

No início deste mês, foi confirmado um caso positivo de infeção por covid-19 no campo de Moria.

Uma das principais questões a serem abordadas para evitar a rápida e ampla disseminação do Covid-19 nas ilhas gregas é a evacuação preventiva urgente dos campos superlotados. Se a UE não tomar medidas imediatas, a situação na Grécia e nas ilhas vai tornar-se incontrolável, ​​com risco de haver muitas mortes”, disse o eurodeputado.

Para conter o surto da Covid-19, o governo de Atenas começou a medir a temperatura aos recém-chegados, suspendeu as visitas, proibiu a saída de migrantes dos campos de refugiados, estabeleceu um recolher obrigatório e a medida de que só pode sair uma pessoa por agregado familiar por dia e tem de ser uma saída justificada. A Grécia diz que também foram criadas zonas de quarentena e de recuperação.

Mas estas medidas não tranquilizam as organizações não-governamentais em Lesbos, que denunciam a sobrelotação dos campos. Moria acolhe quase 20 mil pessoas num espaço onde só deveriam estar duas mil.

A União Europeia quer dar prioridade a pessoas com mais de 60 anos e/ou com problemas de saúde, mas não esclareceu se a solução de evacuação dos campos de refugiados passa por outros estados-membros.

Dados oficiais contabilizam mais de 820 casos confirmados de covid-19 na Grécia, 22 pessoas morreram e 53 estão em estado grave.

Verónica Ferreira