O número não está fechado, mas são já centenas de pessoas a serem retiradas depois dos vários apelos para proteger os grupos de risco nos campos de refugiados. Nas imagens é possível ver a evacuação de uma parte do campo de Moria, grupos de várias pessoas reúnem-se, sem material de proteção, como máscaras, à espera do bilhete para viajarem até Atenas. É lá que ficarão, noutros campos, pelo menos durante o surto de Covid-19.

O plano inicial prevê que 1500 sejam retirados, mas os voluntários têm pouca esperança que todos consigam verdadeiramente sair daqui. Para já, 400 pessoas serão retiradas esta semana. Outras 400 serão retiradas na próximasemana. 

Finalmente, algo acontece e hoje as pessoas vulneráveis ​​no campo receberam bilhetes para Atenas. Parece que, agora, começou realmente a evacuação, após tantas promessas e atrasos”, refere a Moria Corona Awareness Team (MCAT), uma organização voluntária de refugiados que nasceu para evitar a propagação do vírus neste campo na ilha de Lesbos.

 

 

Este é um passo muito importante, mas perguntamos: porquê apenas agora?”.

 

Durante mais um mês, em plena crise pandémica, cerca de 20 mil pessoas estiveram fechadas neste campo sem condições mínimas de saneamento. Não há desinfetante, máscaras ou sequer água, como noticiou a TVI no início do mês.

A prioridade são os idosos, doentes crónicos e menores. Agora que o surto parece ter abrandado o ritmo de contágio, a MCAT espera que este seja o momento. “Temos uma pequena pausa na ilha e devemos usá-la da melhor maneira”, escrevem.

À Grécia chegaram, desde o início desta crise, em 2015, um milhão e 200 mil refugiados. Só em 2020, já se registaram quase 10 mil novas chegadas. Desde janeiro, mais de 200 pessoas morreram no mar.

André Carvalho Ramos