O Reino Unido angariou, com aliados, cerca de 1.400 milhões de euros para ajudar 92 países em desenvolvimento a ter acesso a vacinas contra a covid-19, anunciou este domingo o Governo britânico.

Londres terá conseguido junto de vários países aliados - particularmente Canadá, Alemanha e Japão - cerca de 800 milhões de euros, a que se somam cerca de 600 milhões de euros dos cofres britânicos, para um projeto que promete “distribuir este ano mil milhões de doses de vacinas contra a covid-19 em 92 países em desenvolvimento”, segundo um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido.

“Só estaremos protegidos desse vírus quando estivermos todos seguros - é por isso que estamos a concentrar-nos numa solução global para um problema global”, disse o chefe da diplomacia britânica, Dominic Raab, durante uma visita virtual do secretário-geral da ONU, António Guterres, ao Reino Unido, no âmbito da comemoração dos 75 anos da primeira Assembleia Geral da organização, realizada em Londres.

É natural que, por ocasião do 75º aniversário das Nações Unidas, o Reino Unido tenha tomado a iniciativa, com os seus aliados, de disponibilizar mil milhões de doses da vacina contra o novo coronavírus aos países em desenvolvimento”, explicou Raab.

No discurso na conferência virtual da comemoração da primeira Assembleia Geral da ONU, António Guterres disse que o mundo se encontra “numa época semelhante a 1945”, referindo-se à Segunda Guerra Mundial, embora desta vez o inimigo seja um “vírus microscópico”.

A pandemia revelou as profundas fragilidades do nosso mundo”, acrescentou Guterres, dizendo que a pandemia é uma tragédia humana, mas também trouxe a oportunidade de aumentar a cooperação global em muitos assuntos.

“Os últimos meses mostraram que grandes transformações são possíveis, quando há vontade política e consenso sobre o caminho a seguir”, concluiu o secretário-geral da ONU.

Na segunda-feira, Guterres reúne-se por videoconferência com o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, e com membros do seu Governo, assim como com Justin Welby, arcebispo de Canterbury e primaz da igreja anglicana.

Ainda nesse dia, o secretário-geral da ONU participará numa mesa redonda sobre energia limpa com o chefe da diplomacia britânica, Dominic Raab, e com Alok Sharma, presidente da cimeira do clima da ONU, que o Reino Unido organizará em novembro próximo, na cidade escocesa de Glasgow.

/ AG