O Reino Unido registou mais 413 mortes de pessoas infetadas com Covid-19 em 24 horas, aumentando para 20.732 o número de óbitos durante a pandemia, informou este domingo o ministro do Ambiente britânico, George Eustice.

Embora exista flutuações de números ao longo dos dias e tenham sido verificadas reduções ao fim de semana, a variação diária é a mais baixa desde 31 de março.

O número total de casos de contágio, contabilizado até às 09:00 de domingo, é agora de 152.840, mais 4.462 do que no dia anterior, referiu Eustice no início da conferência de imprensa diária do governo sobre a crise.

Os números das mortes referem-se a óbitos registados até às 17:00 da véspera apenas em hospitais e são compilados a partir de dados das direções regionais de Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte.

No sábado, o Reino Unido passou a integrar um grupo de países com mais de 20.000 mortes provocadas pelo novo coronavírus, juntando-se aos EUA, Itália, Espanha e França.

No entanto, o número de pessoas internadas tem vindo a decrescer e hoje era de 15.953, menos do que as 16.411 de sábado.

Tendo em conta o número decrescente de hospitalizações, as autoridades britânicas estão convencidas de que o país já atingiu o pico da curva epidemiológica, mas têm evitado responder quando vai ser levantado o regime de confinamento decretado há cinco semanas, em 23 de março.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Dominic Raab, que substitui o primeiro-ministro, Boris Johnson, enquanto este está ausente em convalescença, argumentou hoje que a pandemia ainda está numa “fase delicada e perigosa".

“Precisamos de garantir que os próximos passos são firmes e é por isso que estamos a avançar com muita cautela e a seguir os pareceres científicos sobre as medidas de distanciamento social nesta altura, ao mesmo tempo que fazemos o trabalho de casa para garantir que estamos preparados na altura certa para a próxima fase”, disse, em entrevista à Sky News.

Dominic Raab também admitiu que uma vacina contra o novo coronavírus "provavelmente não estará concluída este ano".

O governo está sob pressão crescente de políticos conservadores para aliviar as medidas de distanciamento social por causa da preocupação com o impacto na economia e também dos partidos da oposição para publicar o plano para o desconfinamento.

Numa carta divulgada hoje, o líder do Partido Trabalhista, Keir Starmer, apela a Boris Johnson para que este faça preparativos rapidamente e que seja transparente sobre o que vai ser preciso fazer.

"Precisamos ver uma mudança significativa na resposta do governo a esta pandemia. As decisões precisam ser tomadas mais rapidamente e a comunicação com o público precisa ser mais clara. Já vimos as consequências de um mau planeamento e preparação. Isto não pode acontecer novamente”, avisa.

Dominic Raab disse hoje que Boris Johnson vai regressar ao trabalho na segunda-feira, duas semanas após ter recebido alta do hospital, onde esteve internado devido a uma infeção com covid-19, incluindo três noites nos cuidados intensivos.

"Ele esperou e seguiu o conselho dos médicos para retomar forças. Ele vai estar de volta ao trabalho, a tempo inteiro, a comandar na segunda-feira. Está ansioso por voltar”, garantiu o chefe da diplomacia.

Reino Unido vai manter medidas de distanciamento apesar da pressão económica

 O Reino Unido vai manter medidas de distanciamento “durante um tempo” para travar a pandemia covid-19, afirmou hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros e líder provisório do executivo, Dominic Raab, perante a pressão que enfrenta para suavizar o confinamento.

As exigências partem dos próprios conservadores, no Governo, dado o impacto que as atuais diretrizes podem vir a ter sobre a atividade económica, mas também da oposição trabalhista, que exige detalhes sobre como as restrições serão levantadas.

Raab, temporariamente à frente do gabinete enquanto o primeiro-ministro, Boris Johnson, recupera da doença, alertou hoje que o surto permanece “deliciado e perigoso” e, por isso, vai agir “com cautela”, com o objetivo de evitar uma segunda onda.

Em declarações a várias cadeias televisivas, o chefe da diplomacia britânica previu que não haja uma vacina contra o novo coronavírus até meio “do próximo ano”.

Rejeitou também responder ao líder trabalhista, Keir Starmer, que pediu ao executivo detalhes sobre como planeia diminuir o confinamento.

Até que possamos estar seguros, com base em pareceres científicos, de que podemos dar passos sólidos para proteger a vida, mas também para preservar o nosso estilo de vida, francamente não é responsável começar a especular acerca de medidas individuais”, disse.

Essas medidas vão ser revistas dentro de duas semanas, avançou o ministro do Ambiente.

/ publicado por Rafaela Laja