É muito provavelmente o país onde a pandemia de covid-19 mais cresce em todo o mundo, mas isso não impediu que a Índia saísse à rua em peso para festejar o Kumbh Mela, principal festival da região Hindu, e que acontece quatro vezes a cada 12 anos, rodando pelas cidades de Prayagraj, Ujjain, Nashik e Haridwar.

Foi precisamente em Haridwar que, ignorando todas as regras sanitárias, nomeadamente o uso de máscara e o cumprimento do distanciamento social, milhares de pessoas saíram à rua, dirigindo-se ao rio. Agora, e numa altura em que continua a testagem massiva no país, começa a descobrir-se a origem de um grande surto, que já infetou cerca de 300 pessoas, em números que podem ser muito superiores.

Em três dias, foram feitos perto de 20 mil testes, mas as autoridades acreditam que participaram no festival três milhões de pessoas, das quais 900 mil tomaram banho no sagrado rio Ganges. À atual taxa de positividade do surto, a equivalência aponta para a existência de 45 mil casos positivos (tendo por base a taxa de positividade atualmente verificada e o número total de pessoas que participaram no evento).

Só esta quarta-feira, a Índia reportou 1.027 mortes e 184.372 casos de covid-19, atingindo números que são máximos diários, recordes que vêm sendo batidos em dias consecutivos.

Se tivermos só em conta o número de casos, o número verificado é mesmo o recorde mundial de novos casos diários.

Segundo a BBC, as autoridades estão a ter muitas dificuldades para que sejam cumpridas as normas sanitárias. Entre os infetados estão pelo menos nove líderes religiosos.

Para se perceber a proporção que o surto pode atingir, a cidade de Haridwar tinha pouco mais de mil casos ativos no domingo. Dois dias depois, esse número mais do que duplicou, sendo já mais de 2.800 os casos ativos atualmente.

O caso está a gerar tamanha indignação, que na Índia já há quem lhe chame coronavírus "super-spreader", algo que significa "super contaminador".

António Guimarães