A comissária europeia para a Saúde e Segurança Alimentar criticou esta segunda-feira os atrasos na entrega das vacinas contra a covid-19 que estão a ser desenvolvidas pela AstraZeneca. O produto deve ser aprovado pela União Europeia ainda esta semana, mas Stella Kyriakides entende que o processo deve ter maior transparência.

Segundo a responsável, a União Europeia quer saber quantas doses foram produzidas pela empresa britânica até ao momento, pretendendo também saber a quem foram entregues.

As respostas da empresa não foram satisfatórias até agora. Uma segunda reunião está marcada para esta noite", revelou.

Dada esta insastifação, Stella Kyriakides revelou que, no futuro, todas as empresas que produzem vacinas contra a covid-19 na União Europeia terão de notificar antecipadamente quando quiserem exportar vacinas para países fora da comunidade.

Da reunião resultou também a criação de um mecanismo para garantir a transparência nas exportações das vacinas adquiridas por Bruxelas, que já são oito, e para as quais o executivo comunitário já disponibilizou 2,7 mil milhões de euros.

Queremos clareza e total transparência na exportação de vacinas a partir da União Europeia", acrescentou a responsável.

O coordenador da taskforce do Plano de Vacinação da covid-19, Francisco Ramos, garantiu hoje que o atraso da vacina AstraZeneca/Oxford não comprometerá a primeira fase do plano português, mas não permitirá antecipá-lo, admitindo uma quebra de 50% do esperado.

A vacina da AstraZeneca com a universidade de Oxford contra a covid-19 é uma das oito já asseguradas pela Comissão Europeia para a UE, após a assinatura de um contrato no ano passado para aquisição de 300 milhões de doses.

A esta juntam-se a vacina da BioNtech e Pfizer, que está a ser utilizada na UE desde final de dezembro passado, e a da Moderna, em uso desde meados deste mês no espaço comunitário.

O processo de vacinação está, contudo, a ser marcado por várias críticas relacionadas com a produção insuficiente para todos os países da UE, o que já levou a atrasos na distribuição.

Também em meados deste mês, Agência Europeia de Medicamentos recebeu um pedido para aprovação da vacina da farmacêutica AstraZeneca com a universidade de Oxford, devendo dar ‘luz verde’ a este fármaco até final da semana.

A estas três vacinas, acrescem outras já garantidas pelo executivo comunitário, como as da Sanofi-GSK, Janssen Pharmaceutica NV e CureVac, para as quais já foram formalizados contratos de aquisição, e da Novavax e Valneva, para as quais foram concluídas conversações exploratórias.

“A UE financiou antecipadamente o desenvolvimento da vacina e a sua produção e quer ver o seu o seu retorno” e, além disso, “a UE quer saber exatamente quantas doses foram produzidas até agora e onde”, além que questionar “para onde serão destinadas”, elencou Stella Kyriakides, notando ainda não ter tido “respostas satisfatórias”.

António Guimarães / com Lusa