Muitos países latino-americanos tomaram novas medidas este sábado para resistirem à propagação da pandemia de coronavírus nos seus territórios.

Na Venezuela, que está em estado de alerta desde sexta-feira e conta agora com dez casos, todos os viajantes que chegam da Europa terão de passar por uma quarentena obrigatória de duas semanas.

As ligações aéreas com a Europa e a Colômbia foram suspensas por um mês e os estabelecimentos de ensino - do jardim de infância à universidade - vão fechar portas a partir de segunda-feira.

A decisão do presidente da vizinha Colômbia, Ivan Duque, de fechar as sete passagens de fronteira com a Venezuela foi descrita como "grotesca" no sábado pela vice-presidente venezuelana, segundo a qual "incentiva a travessia por outras vias (...) onde não há controlo epidemiológico".

Colômbia e Venezuela não têm de momento relações diplomáticas. A Colômbia é um dos sessenta países que querem que Maduro desista do poder e que reconheceu o opositor Juan Guaidó como Presidente interino da Venezuela.

Na Bolívia, onde dez casos de Covid-19 foram confirmados, a suspensão até o final de março de todos os voos diretos de e para a Europa entrou em vigor no sábado. O Governo também anunciou a proibição de entrada de viajantes dos países mais afetados.

O Equador, que registou uma segunda morte no sábado pelo coronavírus, num total de 28 casos, vai fechar as fronteiras para todos os estrangeiros a partir de segunda-feira. Entre os casos de contaminação detetados estão um sueco e um holandês. O vice-presidente, Otto Sonnenholzner, anunciou que nenhum estrangeiro poderá entrar no país a partir de segunda-feira, por 21 dias.

Na Guatemala, o presidente, Alejandro Giammatei, anunciou a suspensão das aulas em todos os estabelecimentos de ensino do país e a proibição de reuniões com mais de 100 pessoas. O presidente disse que as medidas entrarão em vigor por 21 dias a partir de hoje.

O Uruguai, onde 14 casos foram identificados e que declarou o estado de emergência de saúde na sexta-feira e o encerramento parcial das fronteiras, anunciou no sábado a suspensão por 14 dias dos cursos em todos os estabelecimentos de ensino.

O México também adotou uma série de medidas, como a suspensão de cursos, atividades públicas e privadas não essenciais, e instou os cidadãos a restringirem as viagens ao exterior. A interrupção de cursos nas instituições de ensino estará em vigor de 23 de março a 19 de abril. O governo também recomendou que os cidadãos limitassem suas viagens no México e para outros países. O número de casos de contaminação por coronavírus no México subiu para 41, contra 26 no dia anterior.

No Panamá, onde foram registaados 43 casos, o presidente, Laurentino Cortizo, anunciou no sábado a proibição de voos que chegam da Europa e da Ásia. O parlamento de El Salvador aprovou esta madrugada uma proposta do governo para restringir temporariamente as liberdades de movimento e de assembleia, a fim de ajudar a combater a propagação do vírus.

E a República Dominicana decidiu suspender a apartir de segunda-feira, por um mês, os voos de e para Europa, China, Coreia do Sul e Irão. Atualmente, o país possui 11 casos de contaminação.

O novo coronavírus foi detetado pela primeira vez em dezembro, na China, e já provocou mais de 5.700 mortos em todo o mundo.

O número de infetados ultrapassa agora os 151 mil, com registos em 137 países e territórios, incluindo Portugal, que tem 169 casos confirmados.

A Organização Mundial da Saúde declarou entretanto que o epicentro da pandemia provocada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) se deslocou da China para a Europa, onde se situa o segundo caso mais grave, o da Itália, que anunciou no sábado 175 novas mortes e que regista um total de 1.441 vítimas fatais.

/ SS