O Ministério da Saúde da Índia informou esta quarta-feira que o país detetou uma nova variante de covid-19, distinta das estirpes já encontradas até agora.

Em comunicado, o Ministério diz que esta "variante dupla mutante" foi encontrada na Índia, embora ainda em números insuficientes para estabelecer uma correlação com o rápido aumento de casos de infeção em vários estados do país.

Esta nova variante foi descoberta através da ação do INSACOG, um consórcio de dez laboratórios nacionais que tem estado a traçar a sequência genómica do vírus, com o intuito de mapear todo o código genético do SARS-CoV-2.

O código genético do vírus funciona como um manual de instruções. As mutações dos vírus são comuns, mas a maioria delas são insignificantes e não causam nenhuma alteração na sua capacidade de transmitir ou causar infecções graves. 

Porém, algumas mutações, como as das variantes do Reino Unido ou da África do Sul, podem tornar o vírus mais infeccioso e, em alguns casos, ainda mais mortal.

Uma dupla mutação, como a registada na Índia, são "duas mutações que se unem no mesmo vírus", explica o virologista Shahid Jameel. 

Uma mutação dupla nas principais áreas da proteína spike do vírus pode aumentar os riscos e permitir que o coronavírus escape ao sistema imunológico e se torne mais infeccioso”, acrescenta o especialista.

A proteína spike é a parte que o vírus que usa para penetrar nas células humanas.

O governo indiano disse que uma análise das amostras recolhidas no estado de Maharashtra, no oeste da Índia, mostra "um aumento na fração de amostras com as mutações E484Q e L452R", em comparação com dezembro do ano passado.

"Estas mutações [duplas] conferem uma fuga imunológica e aumentam a infecciosidade", afirma o Ministério da Saúde em um comunicado.