O ex-presidente da construtora brasileira OAS Léo Pinheiro afirmou, ao colaborar com as autoridades, que o atual líder do Governo no Senado, Fernando Bezerra, recebia subornos quando era ministro, informou esta segunda-feira o jornal o Globo.

Segundo Léo Pinheiro, no seu acordo de delação premiada (benefício legal concedido a um réu que aceite colaborar com a investigação criminal) recentemente aprovada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), os subornos aconteceram em troca da cedência de recursos do Ministério da Integração Nacional, e por obras do executivo de Pernambuco.

Entre 2011 e 2013, Bezerra foi ministro da Integração Nacional durante a administração da ex-presidente Dilma Rousseff. Em 2014 foi eleito Senador por Pernambuco, mas anos antes trabalhou para o governo daquela região.

Léo Pinheiro relata que no início de 2008 participou num jantar com Bezerra, para que fosse apresentado ao seu operador financeiro, o publicitário André Gustavo Vieira, que seria o intermediário do suborno.

À época, Bezerra era secretário de Desenvolvimento Económico do governo de Pernambuco, comandado então por Eduardo Campos, morto em 2014 num acidente de avião.

Durante esse período, a OAS efetuou diversos contratos de obras no Porto de Suape, em Pernambuco, que renderam pagamentos de subornos a membros governo de Pernambuco, segundo Pinheiro.

De acordo com o ex-executivo da OAS, citado pelo Globo, a verba transferida para Bezerra correspondia a 2% do valor das obras.

Ainda sobre o governo estadual de Pernambuco, o ex-presidente da construtora declarou que Bezerra indicou duas empresas para celebrarem contratos fictícios para que a OAS transferisse verbas não declaradas para a campanha de Eduardo Campos, para a sua reeleição para o governo de Pernambuco, em 2010.

O antigo presidente da OAS afirmou também que, já na condição de ministro, Bezerra recebeu subornos referentes a uma obra do canal do Sertão, feita com recursos do governo de Alagoas e do Ministério da Integração Nacional.

Em 11 de setembro deste ano, a Polícia Federal brasileira cumpriu mandados de busca e apreensão nos escritórios do líder da bancada governamental no Senado, Fernando Bezerra, e do seu filho e deputado, Fernando Coelho Filho, durante uma operação anticorrupção.

A entrada dos agentes nos prédios da Câmara dos Deputados e do Senado foi autorizada pelo STF, como parte de uma investigação sobre supostas irregularidades nas obras de travessia do rio São Francisco, no nordeste do país durante a administração da ex-presidente Dilma Rousseff, quando Bezerra foi ministro da Integração Nacional.

De acordo com a Polícia Federal, a operação investiga um esquema criminoso de pagamento de subornos por parte de construtoras a autoridades públicas. Os pagamentos teriam sido feitos entre 2012 e 2014.

Segundo as autoridades, há suspeitas de que o senador e o seu filho tenham recebido 5,538 milhões de reais (1,20 milhões de euros) em subornos.

De acordo com o Globo, a Polícia encontrou nos gabinetes de Bezerra no Senado documentos referentes às empresas envolvidas em obras do ministério. O material está a ser analisado no inquérito que tramita no STF contra o senador.

Já o ex-presidente da construtora brasileira OAS Léo Pinheiro, um dos principais acusadores do ex-chefe de Estado Lula da Silva por corrupção, saiu há duas semanas da cadeia de Curitiba, passando a cumprir prisão domiciliária com pulseira eletrónica, devido à sua colaboração com as autoridades nas investigações.

Segundo a imprensa local, o ex-executivo Léo Pinheiro, condenado em cinco ações penais da operação Lava Jato em Curitiba, cumprirá agora pena em sua casa, em São Paulo.

Lançada em 2014, a Lava Jato, maior operação contra a corrupção no Brasil, trouxe a público um gigantesco esquema de corrupção de empresas públicas, implicando dezenas de altos responsáveis políticos e económicos, e levou à prisão de muitos deles, como Lula da Silva.