O parlamento peruano aprovou na sexta-feira o lançamento de um processo de impugnação contra o presidente Martin Vizcarra, após a divulgação de documentos que podem implicá-lo num caso de corrupção.

De acordo com a agência de notícias France-Presse (AFP), a moção, apresentada por vários partidos, precisava de pelo menos 52 votos para ser adotada e desencadear o processo formal de destituição, que ainda deverá ser votado formalmente.

Na votação, 65 deputados votaram a favor, 36 contra e 24 abstiveram-se.

Na votação formal, que não foi agendada, serão necessários 87 votos para destituir o chefe de Estado.

Antes disso, Vizcarra, no poder desde março de 2018, terá a oportunidade de se defender perante o parlamento.

Em caso de destituição, o presidente do parlamento, Manuel Merino, exercerá o cargo de Presidente interino até ao final da atual legislatura, em 28 de julho de 2021.

Em causa está a transmissão na quinta-feira aos deputados de uma gravação áudio em que Vizcarra pede a testemunhas que escondam a verdade numa investigação de um caso de alegada corrupção, relacionado com a contratação de um cantor, em plena pandemia, pelo Ministério da Cultura, levantando suspeitas de que o artista, pouco conhecido, tenha sido beneficiado.

O Presidente peruano tinha pedido aos deputados "que analisassem a situação com prudência, responsabilidade e que tomassem a decisão que considerassem apropriada".

Na quinta-feira, após as gravações terem sido transmitidas, o chefe de Estado afirmou num discurso transmitido pela televisão que não se ia demitir, considerando-se vítima de uma "conspiração contra a democracia".

A destituição do Presidente peruano, sete meses antes das eleições presidenciais, agendadas para abril do próximo ano, "pode revelar-se muito arriscada", alertou o analista político Fernando Rospigliosi em declarações à AFP, numa altura em que o país está mergulhado numa grave crise sanitária e económica devido à pandemia de covid-19.

Martin Vizcarra assumiu a presidência do Peru em março de 2018, depois de ter sido vice-presidente de Pedro Pablo Kuczynski, que se demitiu de chefe de Estado na sequência de um escândalo de corrupção ligado à empresa brasileira de construção Odebrecht.

O Presidente peruano, que não poderia recandidatar-te na próximas eleições presidenciais, agendadas para 21 de abril de 2021, deveria terminar o seu mandato dentro do prazo estabelecido por lei, em 28 de julho de 2021.

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