A Boeing vai eliminar mais de 12 mil postos de trabalho nos Estados Unidos, avança a agência Reuters esta quarta-feira. Entre os despedimentos estão 6.770 funcionários que foram involuntariamente colocados em regime de lay-off. Esta é uma das primeiras medidas da empresa para fazer face à crise provocada pela pandemia de Covid-19.

A construtora revelou ainda que está a ponderar mais despedimentos, adiantando também que "milhares de funcionários continuam em lay-off" durante os próximos meses.

A empresa está a fazer vários cortes, depois de a encomenda de aviões ter caído de forma drástica, uma vez que a indústria da aviação está praticamente paralisada em todo o mundo.

Apesar das dificuldades, os últimos dias da Boeing nos mercados bolsistas têm sido positivos, depois de a companhia ter anunciado o regresso da produção do avião 737 MAX (suspensa em meados de março), que esteve envolvido em dois acidentes que provocaram mais de 300 mortes. A última atualização dá conta de uma subida de 4,6% nas ações, para um total de 149,52 dólares (cerca de 136,48 euros).

Os cortes em pessoal na empresa podem mesmo chegar a 10% do total de funcionários, sendo que a Boeing emprega, atualmente, 160 mil pessoas.

Segundo a agência Reuters, os funcionários receberam um e-mail a explicar a razão do despedimento: "A pandemia teve um impacto devastador na indústria da aviação e isso significa um grande corte no número de voos comerciais e nos serviços que os nossos clientes vão precisar nos próximos anos, o que resulta em menos empregos nas nossas linhas de montagem e nos nossos escritórios... gostava que houvesse outra maneira", pode ler-se no texto enviado pelo diretor-executivo da Boeing, Dave Calhoun.

Em abril, a Boeing registou o segundo mês do ano sem quaisquer encomendas de aviões, e vários clientes cancelaram uma encomenda total de 108 aviões do modelo 737 MAX, o que significa o pior início de ano da empresa desde 1962

Também no mês passado, a companhia viu-se obrigada a emitir títulos de crédito no valor de 25 mil milhões de dólares (cerca de 22,8 mil milhões de euros) para não ter de recorrer à ajuda do estado norte-americano.

Dos postos que vão terminar, 9.800 estavam sediados na fábrica da empresa no estado de Washington

António Guimarães