O Parlamento Europeu inicia esta segunda-feira, em Bruxelas, a sessão plenária de ‘rentrée’, que será dominada pelo primeiro discurso sobre o Estado da União proferido pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, na quarta-feira.

Inaugurado pelo antigo presidente da Comissão José Manuel Durão Barroso, em 2010, o discurso do Estado da União tornou-se o ‘cartaz’ da sessão plenária de setembro, sendo a oportunidade de o executivo comunitário e os eurodeputados discutirem os grandes desafios e prioridades para os 12 meses seguintes, com a pandemia da covid-19 a ser este ano o tema incontornável.

A resposta europeia à crise da covid-19 deverá dominar o discurso, na quarta-feira, de Von der Leyen, numa altura em que a pandemia continua bem presente, como o demonstra o facto de, pela primeira vez, o Estado da União não ter lugar em Estrasburgo.

A decisão, mal acolhida pelas autoridades francesas, foi tomada na passada terça-feira pelo Parlamento Europeu, em virtude de a região francesa do Baixo Reno ter sido classificada como ‘zona vermelha’ ou de alto risco de contágio.

Além de previsivelmente muito presente no debate sobre o Estado da União, a crise da covid-19 também domina boa parte da agenda da sessão, com os eurodeputados a votarem um parecer legislativo sobre os recursos próprios, peça essencial da Fundo de Recuperação acordado pelos líderes em julho passado, e a debaterem e votarem uma resolução sobre como melhorar a coordenação dos Estados-membros face à pandemia, como critérios comuns para restrições à livre circulação.

A sessão, que decorrerá entre segunda e quinta-feira, será também palco de uma série de debates sobre os grandes temas da atualidade ‘extra-covid’, designadamente a nível de política externa, a tensão entre Grécia e Turquia no Mediterrâneo oriental e a situação na Bielorrússia, no Líbano e na Rússia, à luz do envenenamento do opositor Alexei Navalny, todos na terça-feira.

Na quinta-feira, a concluir uma agenda muito preenchida, o Parlamento Europeu irá debater e adotar uma resolução sobre a situação humanitária no norte de Moçambique, designadamente na província de Cabo Delgado, palco de ataques por grupos terroristas desde outubro de 2017, que já causaram a morte de, pelo menos, 1.059 pessoas em quase três anos, além da destruição de várias infraestruturas.

/ RL