O embaixador Francisco Seixas da Costa esteve, esta segunda-feira, no Jornal das 8 da TVI, para analisar o impacto político das manifestações que surgiram depois da morte de George Floyd, às mãos da polícia, nos Estados Unidos da América.

O embaixador recorda que este não é o primeiro protesto contra a violência policial sobre minorias étnicas, nos Estados Unidos da América. No entanto, Francisco Seixas da Costa sublinha que, devido à natureza “complexa” do país, esses protestos tiveram sempre poucos resultados práticos.

Barack Obama dizia que era preciso tomar medidas de natureza legislativa e em relação ao comportamento da polícia. Barack Obama esteve oito anos lá, era um negro na presidência, no entanto, mudar a sociedade americana é muito complexo”, afirmou.

Para Seixas da Costa, os protestos irão durar mais alguns dias e depois, tal como todos os outros, o país seguirá com o “business as usual”.

Questionado sobre se as manifestações são sintoma de uma revolta que vai para além da desigualdade e da repressão policial, o embaixador afirmou que existe um fator de “tensão grande” introduzida por Donald Trump no país.

Faz parte da sua estratégia de lidar com a América. Donald Trump nunca iludiu, desde o início que a sua ideia era ter uma presidência confrontacionista. Ele nunca procurou consensos com a América que não votou nele”, explicou.

Uma parte do eleitorado americano vê agora o país envolvido em confrontos que deixam um rasto de destruição, que já se estendeu a 75 cidades. Algo que, para o antigo diplomata, poderá ser uma oportunidade para Donald Trump se demonstrar como o candidato da “lei e da ordem”.

O presidente chamou arruaceiros às pessoas. Ao chamar arruaceiros, ele sabe que está em sintonia com diversas pessoas que vê uma América destruída, que vê as lojas destruídas, que vê uma certa desordem.”

Muitas das cidades mais afetadas pela vaga de destruição são precisamente governadas por políticos democratas, algo que, para Seixas da Costa, também se apresenta como uma oportunidade política ao presidente norte-americano.

Donald Trump fez uma videoconferência com os governadores dos estados mais afetados, onde lhes pediu para serem duros na repressão dos protestos. O embaixador considera que esse tipo de atitudes fortalece a posição de Trump perante a base que exige ordem nas ruas.

Vamos encontrar aqui um presidente que, provavelmente, vai ganhar alguma coisa desta crise. Em particular, já ganhou porque se tem falado pouco do novo coronavírus”.

Francisco Seixas da Costa acredita que, se fosse hoje, “Donald Trump ganharia as eleições”.

Também no continente Americano, há um outro país profundamente dividido. Manifestações pró e anti-Bolsonaro deram origem a confrontos em São Paulo e no Rio de Janeiro. À medida que se agrava a crise política, económica e sanitário, o Brasil está prestes a chegar aos 30 mil mortos por Covid-19.

Questionado sobre as semelhanças entre o Brasil de Bolsonaro e a os Estados Unidos de Trump, o embaixador considera que as posturas dos dois governantes só são comparáveis na “postura que existe entre o presidente a população”. Apesar de acreditar que Bolsonaro gere o país a “tentar salvar-se a todo o custo”.