A República Islâmica do Irão saudou esta segunda-feira a visita "histórica" do Papa Francisco ao Iraque, considerando a viagem "boa e construtiva” provando que o Iraque se tornou um "país seguro". 

"A viagem do Papa ao Iraque foi muito positiva e muito importante", disse o porta-voz dos Negócios Estrangeiros iraniano, Said Khatibazadeh, durante uma conferência de imprensa em Teerão.

O Iraque tornou-se um país seguro onde uma viagem boa e construtiva se pôde realizar", acrescentou o mesmo responsável.

O Papa deixou esta segunda-feira o Iraque depois de uma visita de três dias marcada pelo encontro com o ‘ayatollah’ Ali Sistani, referência religiosa para os muçulmanos xiitas. 

A reunião mostrou diálogo inter-religioso e o reaproximar das religiões, disse o porta-voz iraniano.

Não há outra mensagem a não ser o diálogo, a paz e a amizade entre as religiões e a cooperação entre as civilizações", disse Said Khatibazadeh. 

No quadro da escola teológica dos xiitas iraquianos, o ‘ayatollah’ Ali Sistani, de nacionalidade iraniana, opõe-se à teoria "vélayat-é faqih" (governo e Estado sob jurisdição islâmica) aprofundada pelo ‘ayatollah’ Khomeiny e que é central no sistema da República Islâmica do Irão.

Teerão intervém no Iraque através de milícias ou de grupos paramilitares xiitas locais pró-iranianos que lutam contra o grupo Estado Islâmico.  

O Papa Francisco percorreu 1.445 quilómetros em território iraquiano, a maior parte do tempo de avião ou de helicóptero sobrevoando zonas onde se encontram células clandestinas de grupos de extremistas islâmicos.

Quando se dirigiu ao país, o chefe da Igreja Católica, disse que o "terrorismo abusa da religião", apelou à paz e à unidade no Médio Oriente e lamentou a saída de cristãos da zona, obrigados a procurar refúgio noutros países. 

O Papa Francisco participou numa cerimónia ecuménica, com diversas confissões religiosos do Iraque.

A missa decorreu em Ur, a cidade natal do patriarca Abraão.

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