Vários estudos indicaram que a qualidade do ar tinha melhorado substancialmente em quase todo o mundo, pouco depois do início da pandemia de Covid-19. Na China, em França ou nos Estados Unidos, os níveis de poluição desceram de forma sustentada, como consequência do fecho de várias atividades, nomeadamente a indústria.

Mas a World Wild Fund for Nature (WWF) alerta que, a longo prazo, podem surgir outros problemas para o meio ambiente. A obrigatoriedade do uso de máscara em muitos locais do planeta levou à massificação deste equipamento. Juntando a generalização das luvas, é necessária uma produção em massa deste tipo de materiais, feitos maioritariamente com plástico.

Grande parte do equipamento de proteção individual (EPI) são descartáveis, e acabam por ser deitados fora depois da sua utilização. A WWF alerta que estes materiais, ainda que não sejam recicláveis, devem ser deitados no lixo, prevenindo que acabem "nas ruas, nos passeios ou nos parques".

A organização avança que já é notória uma maior presença de máscaras e luvas nos oceanos, e que a sua presença pode ser letal para vários peixes e tartarugas, que confundem o plástico com alimento, e acabam por ingerir o material.

Uma estimativa do Politécnico de Turim diz que, com o começo da fase dois do desconfinamento, vão ser precisos mil milhões de máscaras e luvas por mês só em Itália.

A WWF fala em "quantidades muito elevadas" de EPI's, e apela à responsabilidade da população na hora de deitarem fora os materiais.

Cada um de nós deve fazer um esforço para assegurar que procedemos da forma correta e com o mínimo impacto possível na natureza", refere.

A organização afirma que, mesmo que apenas 1% das máscaras seja descartada de forma incorreta, isso corresponde a 10 milhões de máscaras deitadas na natureza todos os meses. Considerando o peso de uma máscara como quatro gramas, isso significaria 40 quilos de plástico, só em máscaras, deitado na rua todos os meses.

Da mesma forma que os cidadãos se mostraram responsáveis a seguir as diretivas dos governos para conter a infeção, agora devem ser igualmente responsáveis na gestão dos EPI's", diz a WWF.

A presidente da WWF Itália pede que se evite um "impacto devastador". Donatella Bianchi relembra que todos os anos são despejadas 570 toneladas de plástico no mar Mediterrâneo.

António Guimarães