O secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, considerou esta quarta-feira que o resultado do teste feito ao opositor russo Alexei Navalny, que confirmou a presença de um agente neurotóxico, “torna ainda mais urgente” uma “investigação completa e transparente” da Rússia.

A Alemanha anunciou que Alexei Navalny foi vítima de um ataque de Novichok. Condeno totalmente o uso de um agente neurotóxico de grau militar, o que torna ainda mais urgente que a Rússia conduza uma investigação completa e transparente”, vincou o responsável pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) numa publicação feita na rede social Twitter.

Jens Stoltenberg acrescenta, na mensagem, que a NATO vai agora “consultar a Alemanha e todos os aliados sobre as implicações” deste caso na defesa mundial.

A reação surge depois de o governo alemão ter avançado hoje que testes realizados a amostras retiradas ao opositor russo Alexei Navalny, internado em Berlim, provam sem equívoco a presença de Novichok, um agente neurotóxico da era soviética.

Num comunicado, o porta-voz do executivo alemão, Steffen Seibert, precisou que testes realizados num laboratório militar alemão especializado em farmacologia e toxicologia mostraram a presença de “um agente químico nervoso do grupo Novichok”.

O mesmo porta-voz declarou ainda que o executivo liderado pela chanceler alemã, Angela Merkel, iria informar os seus parceiros na União Europeia e na NATO e consultá-los, em função da resposta da Rússia, “sobre uma resposta conjunta apropriada”.

Principal opositor do presidente russo, Vladimir Putin, conhecido pelas investigações anticorrupção a membros da elite russa, Alexei Navalny, 44 anos, está internado, em coma, desde 20 de agosto.

O político sentiu-se mal durante um voo de regresso a Moscovo, após uma deslocação à Sibéria.

Foi primeiro internado num hospital de Omsk, na Sibéria, tendo sido transferido, posteriormente, para o hospital universitário Charité, em Berlim.

Na semana passada, os médicos alemães indicaram que Navalny apresentava indícios de ter sido envenenado por "uma substância do grupo dos inibidores de colinesterase", substâncias estas que podem ser encontradas em medicamentos, mas também em inseticidas e em agentes nervosos, sem conseguirem precisar qual.

O hospital pediu a colaboração do laboratório militar de farmacologia e toxicologia de Munique (Baviera), no qual trabalham os maiores especialistas alemães em substâncias tóxicas e agentes químicos.

Este grupo de agentes neurotóxicos, conhecidos como Novichok, está associado ao caso de Sergei Skripal, um ex-espião russo, e da sua filha Yulia que foram envenenados em 2018 no Reino Unido.

/ AG