O Papa Francisco assinalou esta quarta-feira o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto alertando para o risco de voltar a acontecer.

“Tenham atenção, vejam como começou esta estrada de morte, de extermínio, de brutalidade”, disse Francisco, no final da audiência geral, na biblioteca do Palácio Apostólico, realizada com transmissão online e sem fiéis devido à pandemia.

O argentino chefe da Igreja Católica acrescentou que lembrar é uma expressão de humanidade e um sinal de civilização.

“Lembrar é condição para um futuro melhor de paz e fraternidade. Lembrar é necessário porque essas coisas podem acontecer novamente”, afirmou, alertando para a necessidade de se ter cuidado face as propostas ideológicas que ameaçam a humanidade.

Por outro lado, Francisco dedicou também a sua catequese desta quarta-feira à Bíblia e pediu que a sua leitura "fosse acompanhada de oração" porque "não pode ser lida como um romance".

“Fico um pouco incomodado quando ouço cristãos recitando versículos da Bíblia como papagaios. Mas você já encontrou o Senhor com esse versículo? Não é apenas uma questão de memória, mas de coração”, acrescentou.

Em 27 de janeiro de 1945, as tropas soviéticas descobriram o campo de concentração e extermínio de Auschwitz-Birkenau, o maior da Europa ocupada pela Alemanha nazi e onde foram mortos cerca de 1,1 milhões de pessoas, dos quais perto de um milhão de judeus.

Cerca de 900 sobreviventes do Holocausto morreram com a doença em 2020

Cerca de 900 sobreviventes do Holocausto morreram o ano passado com covid-19 em Israel, divulgou o departamento central de estatística a propósito do Dia Internacional em Memória das Vítimas que se assinala esta quarta-feira.

Em Israel vivem 179.600 sobreviventes do Holocausto, todos com mais de 75 anos, grupo que registou 5.300 casos do novo coronavírus em 2020.

As vítimas da covid-19 representam 5% dos 17.000 sobreviventes do Holocausto que morreram no ano passado em Israel, segundo uma organização que os representa.

Para assinalar o dia, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) vai pedir  aos governos de todo o mundo que se mobilizem em iniciativas para combater o negacionismo e o antissemitismo.

O apelo será feito numa cerimónia organizada pela ONU em parceria com a Associação Internacional de Recordação do Holocausto (IRHA, na sigla em inglês), que contará com a participação do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

Segundo um comunicado da UNESCO, esta agência da ONU, o Congresso Judaico Mundial e a rede social Facebook têm colaborado para garantir que não se espalhada pelas redes sociais a negação, distorção e desinformação sobre o genocídio de cerca de seis milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial.

/ HCL