O Papa Francisco elevou este sábado 13 novos cardeais, avisando-os de imediato para não utilizarem os títulos para práticas de corrupção ou de ganhos pessoais. A cerimóni, que decorreu em Roma, foi marcada por várias restrições causadas pela pandemia de covid-19.

As restrições acabaram mesmo por levar à ausência de dois dos novos cardeais. Cornelius Sim, vigário apostólico do Brunei, e José F. Advincula, arcebispo de Capiz, nas Filipinas, não conseguiram viajar para Itália por causa das restrições relacionadas com os voos. Apesar da ausência, ambos os clérigos apareceram na cerimónia através de ecrãs que estavam a transmitir na Basílica de São Pedro.

A cerimónia foi rápida (cerca de 45 minutos) e ficou ainda marcada pelo inédito facto de todos os presentes num evento do género estarem de máscara.

Quando foram receber o barrete vermelho (símbolo cardinalício), os 11 cardeais presentes retiraram a máscara para se aproximarem do Sumo Pontífice. A exceção foi Wilton Gregory, o primeiro cardeal afro-americano da história, que manteve a proteção durante todo o tempo.

Durante a homilia, o Papa Francisco lembrou os cardeais que têm um novo título, mas que "Eminência" não significa que se devem afastar do povo.

Vamos pensar nos vários tipos de corrupção durante o sacerdócio. Se não forem próximos das pessoas, serão apenas 'Eminência'. Se se sentirem assim, então desviaram-se do caminho", disse o Santo Padre.

A cerimónia, conhecida como consistório, é a sétima do género do Papa Francisco, e voltou a ser marcada pela elevação de cardeais de sítios menos comuns. Nove deles têm menos de 80 anos e estão dessa forma elegíveis para participar no conclave que elege um novo Papa, quando o cenário se colocar.

Além do norte-americano Wilton Gregory, arcebispo de Washington, de José F. Advincula e Cornelius Sim, foram ainda elevados mais nove cardeais vindos de países como Itália, México, Malta, Chile ou Ruanda.

António Guimarães