A Alemanha tem reconhecido várias dificuldades para controlar a pandemia de covid-19 no país. Com a subida das mortes e dos internamentos, o governo acabou por decidir apertar restrições pouco tempo antes do Natal.

Este domingo, o ministro alemão da Economia, Peter Atlmaier, vem reforçar os pedidos do executivo de Angela Merkel, pedindo à população que renuncie às compras de Natal: "Desejo e espero que a população compre apenas aquilo que precisa mesmo, como mercearias. Quanto mais rápido controlarmos as infeções, melhor será para todos", disse, em declarações citadas pela agência Reuters.

O governo alemão acordou este domingo com os 16 estados federados novas medidas de confinamento que vão começar esta quarta-feira e que se devem estender pelo menos até 10 de janeiro.

Angela Merkel admitiu que as restrições impostas em novembro falharam de forma significativa no objetivo de reduzir os novos casos.

Presidente alemão pede ao país que aceite as novas restrições

Na mesma linha, o Presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, pediu esta segunda-feira ao país para aceitar as novas restrições à vida pública e à atividade económica para conter a pandemia, já que as medidas adotadas em novembro “não foram suficientes”.

Num apelo à nação, Steinmeier instou a sociedade a agir “de acordo” com as regras para conter a disseminação do coronavírus.

Os nossos esforços até agora não foram suficientes. Temos de agir em conformidade. Isto aplica-se à classe política de todos os níveis administrativos, mas também ao nível pessoal. Todos devem perguntar-se o que mais podem fazer para se proteger a si e aos outros, especialmente os mais vulneráveis”, defendeu.

O Presidente alemão, que tem uma posição eminentemente formal, mas com elevado perfil moral, garantiu que a situação é “gravíssima” e que nem o Natal nem o Ano Novo poderão ser festejados “como se pensava” devido às restrições sem precedentes na história do país.

Depende de nós e sabemos o que fazer”, disse Steinmeier, que pediu “responsabilidade a cada um” para reduzir o número de infeções e mantê-lo em níveis que o sistema de saúde possa suportar.

 

Só o conseguiremos fazer se limitarmos radicalmente os contactos (interpessoais). Temos de fazer isso de forma rápida e abrangente. O nosso sistema de saúde não pode entrar em colapso”, disse o Presidente alemão.

 

A pandemia não nos vai roubar o futuro. Vamos superar a pandemia”, concluiu.

O “duro confinamento” acordado no domingo obriga ao encerramento de lojas e escolas não essenciais a partir de quarta-feira e até 10 de janeiro, que se juntam às instalações de lazer, cultura e gastronomia, que fecharam atividade em novembro.

As reuniões continuarão a ser limitadas a cinco pessoas de duas casas (sem contar os menores de 14 anos), embora as condições sejam ligeiramente relaxadas entre 24 e 26 de dezembro para permitir reuniões familiares (embora não na véspera de Ano Novo, Ano Novo e Dia de Reis).

Para o ‘reveillon’ e o Ano Novo, será decretada a “proibição de reuniões” a nível nacional em espaços públicos e será proibida a venda e o uso de produtos pirotécnicos, que costumam ser tradição nessa época.

Esta segunda-feira foram reportados mais 16.362 casos, havendo ainda a registar 188 mortes, elevando o total de óbitos para 21.975. Mas a semana passada foi mesmo a mais preocupante, com alguns dias a rondarem as 600 vítimas mortais por dia.

Os hospitais de todo o país têm avisado repetidamente que estão a chegar ao limite de internamentos e que lidar com os cuidados intensivos começava a ser um problema.

Às empresas é pedido que optem pelo teletrabalho ou que os trabalhadores possam tirar férias. Os bares e restaurantes encontravam-se já encerrados, bem como museus, teatros e todas as instalações desportivas.

António Guimarães / Notícia atualizada às 11:03