No mesmo dia em que a Organização Mundial Saúde (OMS) alertou para o aumento de casos de Covid-19 na Europa, vários países registam novos máximos diários de contágios e mortos.

A Europa está mais uma vez no epicentro da pandemia, onde estávamos há um ano. A diferença, hoje, é que sabemos mais e podemos fazer mais", disse o diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS) Europa, Hans Kluge, numa conferência de imprensa

A Alemanha contou 33.949 casos nas últimas 24 horas, segundo o instituto de vigilância da saúde Robert Koch. No total, mais de 4,6 milhões de pessoas foram infetadas no país desde o início da pandemia. Helge Braun, chefe de gabinete da chanceler Angela Merkel, afirmou que os estados alemães devem agilizar o processo de vacinação dos idosos com a terceira dose.

É algo que deveria ter acontecido há muito tempo", disse, em entrevista à ZDF.

A Bélgica viu as taxas de hospitalização subir para níveis registados em outubro de 2020, altura em que o país começou o segundo confinamento. Esta quinta-feira, dados do Sciensano, o instituto nacional de saúde pública do país, revelam uma média de 6.728 casos diários do coronavírus, uma subida de 36% em relação à semana anterior.

Também a Itália regista um aumento das infeções, com o noroeste – zona onde se têm realizado os maiores protestos anti-vacinas - a registar o maior número novos doentes.

Em Trieste, para enfrentar a emergência epidemiológica, o presidente da câmara, Roberto Dipiaza, emitiu esta quinta-feira uma portaria para impor o respeito pelo distanciamento e o uso de máscaras entre os participantes das manifestações convocadas na cidade para este mês.

A medida foi tomada numa altura em que os dados epidemiológicos colocam a região de Trieste como a que apresenta o maior número de infeções no país, com 376 casos por cada 100.000 habitantes

Em França, segundo a AFP, a máscara volta a ser obrigatória nas escolas de 39 departamentos do país, seguindo a tendência dos Países Baixos, que voltou a aplicar a medida para lojas e espaços públicos fechados.

Leste europeu continua a ser a região mais afetada

A Rússia registou o maior número diário de mortos pela doença pelo terceiro dia consecutivo, com 1.195. Só nas últimas 24 horas, foram detetadas 40.217 infeções por Covid-19 no país. Moscovo e São Petersburgo são os epicentros da pandemia, mas o vírus ressurgiu em todas as regiões do país.

A vizinha Ucrânia também está a braços com uma nova vaga. Na última semana, país registou 3.819 mortes pelo novo coronavírus. Vitali Klitschko, presidente da câmara de Kiev, afirmou à rádio Free Europe que a capacidade dos hospitais da capital ronda os 80%, com previsões de subir até meio do mês de novembro.

Ambos os países têm baixas taxas de vacinação (39,5% no caso russo, 17% na Ucrânia), o que tem sido apontado pelos especialistas como uma das causas para o aumento de casos.

Outro país em dificuldades para conter o vírus é a Roménia, que tem registado recordes no número de mortos por Covid-19. Na terça-feira, o país registou um novo máximo diário de 589 óbitos. No entanto, medidas como o recolhimento obrigatório das dez da noite às cinco da manhã têm permitido ao país reduzir o número de casos diários desde o pico de outubro.

A Bulgária também registou novo máximo diário de mortes por Covid-19 na passada terça-feira, com 310. “Isto não só uma crise na saúde, é um desastre nacional. O sistema de saúde não consegue lidar sozinho com o problema sem o envolvimento de todos os cidadãos”, afirmou o ministro da saúde do país, Stoycho Katsarov, citado pela Euronews.

Tanto a Roménia, com 37,2%, como a Bulgária, com 25,2% apresentam taxas de adultos vacinados muito abaixo da média da União Europeia, que se situa nos 75,2%.

Reino Unido aprova medicamento contra a Covid-19

Outra das notícias que marca esta quinta-feira é a aprovação, pelo Reino Unido, da utilização do medicamento da Merck para a Covid-19.

Embora não se saiba com precisão quando é que o fármaco estará acessível ao público, o medicamento – designado molnupiravir – demonstrou eficácia assinalável nos estudos efetuados. Segundo os resultados preliminares anunciados pela companhia no mês passado e que carecem ainda de revisão por cientistas externos, a toma do medicamento reduziu para metade hospitalizações e óbitos entre doentes numa fase precoce dos sintomas de covid-19.

O molnupiravir destina-se a ser tomado duas vezes por dia durante cinco dias por pessoas que estejam em casa com covid-19 ligeira a moderada e que tenham pelo menos um fator de risco de poder desenvolver doença grave.

Portugal não bate recordes, mas casos aumentam

Tanto esta quinta-feira como na quarta, o país superou os mil casos diários, algo que não se verificava desde meados de setembro. No entanto, Portugal segue com a maior percentagem de população vacinada da União Europeia, com 86,2%, de acordo com dados do Worldometer.

A taxa de positivos por teste também favorece Portugal. Segundo dados do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças, Portugal é, a par da França e Itália, um dos países a manter este indicador abaixo dos 4%. 

Pedro Falardo