Milhares de cidadãos indianos estão obrigados a esperar vários dias para poder utilizar os serviços de cremação em várias cidades, numa altura em que a covid-19 bate todos os recordes no país e obriga os crematórios indianos a trabalhar na sua capacidade máxima.  

Recorde-se que, esta quinta-feira, a Índia registou o maior número de infeções diárias, com 314.835 pessoas infetadas em apenas 24 horas. A segunda vaga da pandemia no país está a ser particularmente devastadora e está a sobrecarregar as infraestruturas de saúde indianas. Apenas em Deli, uma das maiores cidades do país, vários hospitais começam a relatar deficiências nas reservas de oxigénio.

Já esta sexta-feira, esse recorde voltou a ser ultrapassado, com mais de 330 mil casos de infeção em 24 horas.

Nitish Kumar, um residente da cidade indiana, foi forçado a guarda o cadáver da mãe durante dois dias em casa, enquanto procurava por um crematório que tivesse disponibilidade para tratar dos restos mortais da mãe.

Corri de um lado para o outro, mas cada crematório tinha o seu motivo. Uns diziam que a madeira tinha acabado”, contou Kumar à Reuters. Muitas pessoas como Nitish estão a encontrar crematórios “improvisados” que surgem espontaneamente para “aliviar” a difícil situação que o país atravessa.

Pedidos de ajuda invadem a internet

Ao mesmo tempo, milhares de indianos em desespero estão a recorrer às redes sociais para lançar apelos e pedidos de ajuda para uma vasta gama de material médico. De camas de hospitais a plasma, até passar por oxigénio, os apelos multiplicam-se.

Preciso de uma cama para o meu pai. O seu nível de oxigénio caiu para 79/80. Qualquer ajuda será bem-vinda”, partilhou uma mulher a rede social Twitter.

Informações pessoais, como números de telemóvel ou emails, são partilhados nas redes na esperança de obter alguma informação sobre onde obter alguns destes bens que são, cada vez mais, essenciais.

Hashtags como #COVIDEmergency e #COVIDSOS estão a tornar-se cada vez mais utilizadas na rede social Twitter.