Dois irmãos, de 14 e 12 anos, raptados em Nova Iorque pela seita ultraortodoxa judia Lev Tahor, foram encontrados a cerca de 4.000 quilómetros de casa, no México. O sequestro durou cerca de três semanas e na sua origem esteve a fuga da mãe das crianças, que era parte integrante do culto e filha do seu fundador.

Três líderes do culto, assim como um outro membro, foram apanhados e deportados para os Estados Unidos, e enfrentam agora uma pena que pode chegar a perpétua.

São acusados do rapto de Yante e do seu irmão Chaim, assim como de os terem levado para fora do seu país. O sequestro terá ocorrido na madrugada do dia 8 de dezembro, junto à casa das crianças, em Nova Iorque.

Segundo a Procuradoria norte-americana, os dois irmãos viviam com a mãe, que tinha recentemente escapado à tutela da seita judia, por temer um suicídio coletivo.

A mãe era filha do fundador e antigo líder do Lev Tahor, Shlomo Helbrans, e, segundo a própria, o seu irmão e atual dirigente da seita, Nachman Helbrans, é ainda mais perigoso e extremista que o seu pai, o que terá motivado a sua fuga, juntamente com os filhos.

Os dois irmãos foram resgatados no dia 28 de dezembro, a cerca de 40 quilómetros da capital mexicana. Receberam aconselhamento psicológico e foram entregues à mãe dias mais tarde, segundo o comunicado da Procuradoria Geral da República do México.

Agradeciendo su apoyo #AlertaAmberMx informa que el adolescente CHAIM TELLER de 12 años de edad, ya fue LOCALIZADO. pic.twitter.com/BMcMqfSCoy

— Alerta AMBER México (@AAMBER_mx) 28 de dezembro de 2018

Agradeciendo su apoyo #AlertaAmberMx informa que la adolescente YANTE CHANE TELLER de 14 años de edad, ya fue LOCALIZADA. pic.twitter.com/4fryXoMkvu

— Alerta AMBER México (@AAMBER_mx) 28 de dezembro de 2018

Desde a sua fundação, na década de 80, a seita de judeus ultraortodoxos Lev Tahor, cujo nome é a expressão hebraica para “coração puro”, tem sido notícia de vários escândalos.

Devido aos problemas com Israel, a seita rumou aos Estados Unidos no início dos anos 90. Por essa altura, o fundador do grupo, Shlomo Helbrans, já tinha cumprido dois anos de prisão pelo sequestro de uma jovem israelita de apenas 13 anos.

Na década seguinte, o Lev Tahor mudou-se para Montreal, no Canadá, onde se estabeleceu até ao surgimento de acusações de maus-tratos infantis, inclusive de cariz sexual. Posteriormente, seguiram para Ontário, ainda no Canadá.

Até então, o grupo já tinha atraído as atenções da imprensa, devido às suas rígidas normas em várias matérias, desde o código de vestuário à alimentação, mas principalmente pelo controlo absoluto da vida dos seus membros.

A curiosidade depressa se converteu em preocupação, conforme foram surgindo acusações de casamentos forçados, maus-tratos e abuso de menores, que se foram sucedendo ao longo dos últimos 40 anos.

Em 2014, a seita judia estabeleceu-se na Guatemala, mas nem por isso as investigações cessaram. Já em 2017, meses depois de um tribunal israelita ter qualificado o grupo como extremista e perigoso, o então líder Shlomo Helbrans foi encontrado morto num rio no México.

O seu filho sucedeu-lhe na liderança de uma seita, que conta com cerca de 500 membros ativos.