Os gangues de El Salvador estão a aproveitar-se da pandemia para levarem a cabo homicídios em massa. Só no último fim-de-semana, foram assassinadas mais de 50 pessoas. A denúncia é feita pelo próprio presidente do país Nayib Bukele.

Bukele viu-se obrigado a tomar medidas radicais para combater a criminalidade que, na maioria dos casos, está a ser orquestrada a partir das prisões. A polícia e o Exército foram autorizados a usar a força letal, para travar a violência.

Nas prisões foram tomadas medidas drásticas. Os presos foram retirados das celas, apenas usando roupa interior e colocados nos pátios das cadeias, para que os espaços fossem passados a pente fino, na busca de armas e meios de comunicação.

Além disso, foi decretada uma espécie de quarentena extrema nas prisões. Os membros de gangues que estão detidos não podem receber visitas e não saem das celas.

Bukele chegou ao poder no ano passado, depois de uma campanha em que teve como mote principal a redução da criminalidade no país.

De acordo com as autoridades salvadorenhas, só na sexta-feira, registaram-se 24 homicídios. No sábado, foram mortas 29 pessoas. Foi o dia mais mortífero desde que Nayib Bukele foi eleito.

É o próprio presidente de El Salvador a reconhecer que os gangues estão a tirar partido de as forças de segurança estarem a concentrar as atenções no combate à pandemia para encetarem uma nova vaga de criminalidade.

Manuela Micael